Com um movimento estratégico que reforça o interesse crescente de investidores dos Estados Unidos no futebol europeu, um grupo liderado por Andrew Cavenagh e pela 49ers Enterprises, braço financeiro do San Francisco 49ers, time da NFL, assumiu o controle de 51% das ações do Rangers, clube com sede em Glasgow. A negociação obteve o sinal verde da federação local, autorizando formalmente a mudança de controle e os novos donos sinalizaram uma injeção inicial de £ 20 milhões (cerca de R$ 130 milhões), sendo a maior parte destinada ao reforço do elenco profissional.
A nova estrutura administrativa do time traz uma configuração que mistura experiência empresarial e esportiva, com Cavenagh, nome de peso no setor de saúde corporativa nos EUA, assumindo o posto de presidente do conselho. Ele terá ao seu lado Paraag Marathe, da 49ers Enterprises, que passa a exercer a vice-presidência. Já o atual CEO Patrick Stewart permanece na administração, agora acompanhado por John Halsted, George Taylor e Fraser Thornton, compondo o núcleo decisório da nova fase do Rangers.
O montante prometido pelos americanos deve ser formalizado por meio de uma nova rodada de emissão de ações, no entanto, esse processo ainda depende da validação por parte dos acionistas, que se reunirão em assembleia geral agendada para o dia 23 de junho. Caso o plano seja aprovado, a estrutura societária do Rangers passará por uma transformação, deixando de operar como empresa de capital aberto para se tornar uma entidade privada, o que permitirá maior agilidade em decisões estratégicas.
Essa operação exigiu um parecer da federação escocesa sobre um ponto sensível: o fato de os novos controladores também terem participação ativa no Leeds United, visto que a situação foi analisada seguindo as regras locais sobre múltiplas propriedades no futebol. Em casos anteriores, como o do consórcio Black Knights, controlador do Bournemouth, a limitação imposta foi de até 30% de participação em outra equipe da liga escocesa, como ocorreu com o Hibernian, estabelecendo um precedente importante para a avaliação atual.
Em nota conjunta publicada após a aprovação da operação, os líderes da nova fase no Rangers expressaram suas intenções de maneira direta e alinhada com a expectativa dos torcedores e investidores:
“Nosso foco é conquistar títulos na Escócia e competir em alto nível na Europa, ao mesmo tempo em que construímos um futuro financeiro sustentável para o clube”, informou o comunicado.
Esse investimento marca mais um capítulo da movimentação da 49ers Enterprises fora dos campos da NFL. A aquisição do Rangers ocorre logo após o Leeds United retornar à Premier League e também no rastro de outros movimentos relevantes, como a renovação do contrato do quarterback Brock Purdy e a venda de uma fatia minoritária da franquia californiana por mais de US$ 8,5 bilhões para um grupo de investidores da região da Bay Area.
Marathe, em uma metáfora que revela a visão do grupo, comparou as três instituições sob sua influência a “três diamantes brutos”, destacando os 49ers como a joia já polida, o Leeds em processo de lapidação e o Rangers com potencial para brilhar intensamente sob a nova gestão.
À medida que o Rangers inicia esta nova fase, o cenário para os torcedores aponta para um ciclo de reestruturação, novos investimentos e um compromisso com o resgate do protagonismo perdido, sendo que a meta esportiva mais clara é voltar a levantar a taça do Campeonato Escocês, algo que ocorreu pela última vez na temporada 2020-21. O rival Celtic levou 14 das últimas 15 edições da competição, acentuando o desafio que agora se torna prioridade do novo projeto.
