Enquanto a Confederação Brasileira de Futebol vive mais uma mudança em seu comando, lideranças estaduais tomaram à frente e se posicionaram sobre os rumos da entidade.
Nesta quinta-feira (15), dia em que a presidência da CBF sofreu nova intervenção da Justiça do Rio de Janeiro, foi divulgado um documento que propõe uma nova direção para o futebol nacional, visto que a iniciativa partiu de dirigentes de 19 das 27 federações estaduais, que expressaram apoio a uma reformulação do modelo atual, sinalizando o desejo por transformações mais amplas no comando do esporte no país.
A movimentação ocorre em um momento de transição, logo após a saída de Ednaldo Rodrigues do cargo, determinada pelo Tribunal de Justiça fluminense, com a decisão levando à nomeação de Fernando Sarney como gestor provisório, com a responsabilidade de conduzir a entidade até a realização de novas eleições, que devem definir os líderes da entidade para o período entre 2025 e 2029. Vale lembrar que, há pouco mais de dois meses, Ednaldo foi eleito presidente sem enfrentar oposição, com apoio de todas as federações e mandato previsto até 2030.
O texto assinado por 70% das lideranças estaduais não cita diretamente o nome de Ednaldo Rodrigues, mas reforça a necessidade de se encerrar o ciclo atual marcado por disputas judiciais e instabilidade interna. Entre as entidades que não aderiram ao manifesto estão as federações de São Paulo, Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais, Tocantins, Amapá e Mato Grosso.
Mesmo após a decisão que o afastou do cargo, Ednaldo tenta reverter a situação com uma ação protocolada no Supremo Tribunal Federal, com a petição solicitando que a Corte anule a medida imposta pela Justiça estadual, sendo que esta não é a primeira vez que ele é destituído por decisão judicial. No início da semana, quando ainda exercia a presidência, ele tentou articular apoio político entre os presidentes das federações, mas não conseguiu consolidar respaldo suficiente para sustentar sua permanência.
No conteúdo do manifesto, os presidentes que assinaram reforçam que a condução da CBF precisa passar por mudanças significativas, com foco na recuperação da estabilidade interna e na superação de um modelo centralizado que, segundo eles, tem dificultado a modernização da entidade. Eles apontam que as divergências judiciais, somadas a práticas ultrapassadas de gestão, prejudicam o bom funcionamento do sistema que organiza o futebol no Brasil.
Além da estabilidade institucional, os dirigentes defendem avanços estruturais em diversas frentes, como a revisão do calendário esportivo, a melhoria da qualidade dos gramados, uma arbitragem mais preparada, segurança reforçada nos estádios e o fortalecimento das competições. A proposta também inclui uma visão mais democrática e descentralizada de gestão, com maior abertura à participação de representantes de diferentes regiões e realidades do futebol brasileiro.
O manifesto das federações na íntegra
“MANIFESTO PELA ESTABILIDADE, RENOVAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO. 15 DE MAIO DE 2025.
O futebol brasileiro vive um momento decisivo. É urgente enfrentar desafios estruturais que há anos limitam o potencial do nosso futebol. Precisamos de um calendário equilibrado, arbitragem profissionalizada, gramados de qualidade, segurança nos estádios e competições fortalecidas.
Para que isso aconteça, é fundamental garantir estabilidade institucional à CBF. Precisamos virar a atual página de judicialização e instabilidade que há mais de uma década compromete o bom funcionamento da entidade e o avanço do futebol brasileiro. É também momento de resgatar a autonomia interna da CBF, hoje sufocada por uma estrutura excessivamente centralizada e desconectada das instâncias que compõem o ecossistema do futebol nacional.
Além da estabilidade, o cenário exige uma renovação de ideias, de práticas e de lideranças, bem como a profissionalização definitiva das estruturas de gestão. A CBF precisa ser exemplo de governança, eficiência e transparência — e também precisa voltar a ser a casa de todos que constroem o futebol brasileiro, com um ambiente saudável, inspirador e descentralizado, em que cada um possa contribuir ativamente para a melhoria do esporte que constitui verdadeiro patrimônio nacional.
Unidos com esse propósito, assumimos o compromisso de construir uma candidatura à Presidência e Vice-Presidências da CBF comprometida com um novo ciclo para o futebol brasileiro: mais democrático, mais integrado e mais aberto à participação de todos. Queremos uma CBF forte, querida por dentro, admirada por fora — e novamente amada por todos que fazem do futebol a alma do nosso país.”





