Recém-eleito para presidência da Federação Roraimense de Futebol, Samir Xaud já se movimenta nos bastidores do futebol nacional e se projeta como o próximo nome à frente da CBF. Com apoio consolidado de 25 das 27 federações estaduais e também de 10 clubes profissionais, o médico infectologista de 41 anos entra na eleição marcada para o dia 25 de maio como candidato único e já trata das decisões como se a transição estivesse completa.
Entre as primeiras definições, o dirigente garantiu o italiano Carlo Ancelotti como técnico da seleção brasileira. Durante participação no Charla Podcast, ele destacou que não é favorável ao fim dos campeonatos estaduais, mas sim à necessidade de reformular o calendário com um uso mais racional das datas disponíveis, de forma a valorizar os torneios regionais sem sobrecarregar o cronograma.
“Em Roraima, começamos a diminuir datas. Antigamente tínhamos 21 datas no estadual. Esse ano tivemos 14 datas. Eram três meses, passou para dois. Diminuiu custo. Conseguimos dar mais dar mais flexibilidade para os times que jogavam Série D, representavam na Copa do Brasil”, afirmou o dirigente, que abriu o jogo sobre uma liga criada pelos clubes.
“Essa questão da liga é importante por conta disso. A gente vai conseguir melhorar nosso calendário se conseguirmos essa estruturação. Seguimos uma hierarquia de datas. Temos o calendário Fifa, Conmebol e CBF. Ficamos amarrados um pouco também”, pontuou.
“Minha ideia é tirar essa ideia do papel, dar autonomia para que os clubes gerissem o campeonato. E a CBF cuidar da outra parte, o futebol de base, feminino, dar condição para trabalhar nos pequenos cantos do País até os grandes centros”, acrescentou.
Xaud também trouxe à tona o tema da arbitragem, apontando a qualificação profissional como um dos principais pilares para a melhora do setor, relembrando o modelo adotado em Roraima, onde iniciativas voltadas à formação dos árbitros, com foco em capacitação contínua e acesso à educação técnica, foram implementadas com o objetivo de profissionalizar e padronizar os critérios dentro de campo. Para ele, a base do progresso está em investir em pessoas, e isso começa pela educação.
“Lá, estou fazendo um trabalho muito importante com a arbitragem. Educação continuada é o que eu prezo em todos os setores. A capacitação, os estudos. A gente teve um crescimento na arbitragem de Roraima. A gente vê no campo. Tem essa questão da profissionalização, sou a favor”, disse.
Outro trecho da entrevista envolveu Ronaldo Nazário. O ex-jogador e empresário tentou se lançar como candidato à presidência da CBF em março, mas afirmou que sequer conseguiu espaço para dialogar com os representantes estaduais, o que, segundo ele, inviabilizou qualquer articulação.
Samir comentou o episódio destacando que o debate é sempre bem-vindo, mas que a participação nos processos internos exige articulação constante e construção de confiança junto às federações ao longo do tempo.
“Temos vários ex-jogadores que podem contribuir bastante para o futebol brasileiro. Ronaldo citou que não tinha conseguido fazer contatos. Quando você quer se candidatar para um cargo eletivo, a primeira coisa que tem de ter é o diálogo. Não uma mensagem por e-mail falando alguma coisa”, criticou.
Ao encerrar a entrevista, Samir disse admirar o ex-jogador e o considera um profissional respeitado, mas avaliou que a abordagem feita por ele não foi adequada ao contexto político do momento. Mesmo assim, ele deixou claro que isso não impede um diálogo futuro, reforçando que portas permanecem abertas para discussões construtivas.




