
Uma das provas mais importantes do calendário do automobilismo, as 24 Horas de Le Mans, que acontece anualmente na França desde 1923, representa um dos maiores desafios na cobertura de um evento esportivo.
Enquanto os pilotos enfrentam curvas a mais de 300 km/h, uma equipe igualmente dedicada batalha contra possíveis limitações técnicas e a pressão de levar cada detalhe em tempo real para o público.
Além disso, cobrir um final de semana de trabalhos no Circuito de La Sarthe impõe obstáculos que vão desde a diferença de 5 horas em relação ao horário de Brasília até a parte técnica, exigindo monitoramento constante, que nem sempre se encaixa na jornada regular de outras transmissões esportivas.
Em entrevista para esta coluna, Victor Martins, diretor-executivo do GRANDE PRÊMIO, veículo que detém os direitos da prova, detalhou como será a cobertura da GPTV do final de semana e citou aprendizados de sua equipe de transmissão com as edições passadas das 24 horas de Le Mans.
Que estratégias serão adotadas para gerenciar a equipe de transmissão e a troca de turnos ao longo das 24 horas de prova?
Realizaremos a cobertura da seguinte forma: serão 4 narradores (Geferson Kern, Yuri Queiroga, Breno Monsef e Matheus Pinheiro) e 4 comentaristas (Bruno Taiar, Gustavo Almeida, Ricardo Arcuri e João Pedro Nascimento) que vão se revezar durante as mais de 24 horas da corrida, divididos em turnos que vão variar de 3 a 6 horas, respeitando outros compromissos que os talentos terão ao longo do fim de semana.
A escala é definida previamente, de modo que cada um sabe o momento em que entra e que deixa a transmissão, mas em muitos casos os que não estão no ar ficam sempre conectados ou à disposição caso aconteça uma eventualidade. As trocas são feitas de forma natural, aproveitando ou algum momento que a corrida permita, como uma bandeira amarela, ou alguma calmaria para que o bastão seja passado ao próximo.
Quais são os principais desafios técnicos enfrentados para garantir uma transmissão contínua e de alta qualidade durante o período da cobertura?
Durante a semana, nosso time técnico e de produção está sempre em contato com a ACO e o próprio WEC para os testes de sinal e imagens. No caso de Le Mans, há duas opções, e escolhemos sempre aquela que deixa a transmissão mais completa. Mas é na hora anterior de todos os eventos que o negócio sempre aperta, porque é nela que temos para avaliar tudo novamente e verificar se o sinal está chegando perfeitamente e está sendo entregue para as plataformas em que transmitimos ao vivo.
Em caso de qualquer problema, nosso time aciona imediatamente a área responsável, que costuma ser bem rápida nas resoluções. De qualquer forma, sempre deixamos um backup de imagens de arquivo ou mesmo links de reserva para serem acionados caso a transmissão já tenha se iniciado.
Quais lições foram aprendidas em edições anteriores que ajudaram a aprimorar a cobertura da GPTV para as 24 Horas de Le Mans?
A primeira é a primordial: checar sempre com antecedência se tudo está certo, seja sinal, microfone ou sincronia. A segunda se refere diretamente a um fator primordial no automobilismo, o tempo. Saber o tempo de entrada da transmissão, o segundo em que vai sair, como fazer a transição que mencionei anteriormente entre os narradores e os comentaristas, e também como os profissionais sabem certas deixas ou macetes para que não se atropelem na transmissão e falem um em cima do outro. Ainda, é entender como saber lidar com problemas sem eventuais desesperos. Este é um ponto que aprendemos bem.
E em tempos digitais, com uma transmissão focada no digital, saber chamar o público para interagir é fundamental, porque acaba chamando mais gente para a transmissão e dá um norte muito interessante aos talentos para que conduzam melhor a jornada. E este contato com o público, a transmissão sincera e aberta que fazemos, é imprescindível para que a audiência entenda que estamos fazendo aquilo com qualidade e carinho e que precisamos do apoio financeiro deles para que cada vez mais transmissões sejam feitas em nossos canais.





