Indústria

FIFA injeta US$ 50 milhões em marketing para alavancar vendas da Copa do Mundo de Clubes

Entidade ampliou aporte no último mês e tenta impulsionar presença nos estádios

Foto: Brian Snyder/Reuters

17 de junho de 2025

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A Copa do Mundo de Clubes em solo norte-americano ganhou uma força extra nos bastidores: a FIFA destinou mais de US$ 50 milhões em ações de marketing com foco direto na comercialização de ingressos para o torneio. Segundo o The Athletic, uma parte expressiva desse investimento foi adicionada apenas no último mês.

A competição, que pela primeira vez reúne 32 times, teve início no sábado (14) e ocupa 12 estádios espalhados por 11 cidades dos EUA, com a final marcada para o dia 13 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey/Nova York.

A FIFA firmou parcerias estratégicas com empresas como DAZN, Coca-Cola, AB InBev, Hisense e Bank of America para viabilizar esse investimento. Além disso, a entidade está promovendo ativações de marketing em diversas cidades dos Estados Unidos e outros países durante o torneio, visando aumentar a visibilidade e o engajamento do público com o evento.

Idealizado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, o projeto enfrentou dificuldades logísticas e estratégicas desde o planejamento inicial, sendo que para evitar arquibancadas vazias em meio ao verão americano, a entidade apostou em táticas como preços dinâmicos e ações em parceria com universidades locais.

Ainda no processo de organização, equipes europeias chegaram a discutir a possibilidade de não participar da edição atual, citando incertezas quanto a receitas de TV, patrocinadores e valores de premiação. Outro ponto de tensão interno envolveu a escolha dos estádios: parte da diretoria da FIFA discordou sobre o equilíbrio entre arenas tradicionais da NFL e estádios ligados à MLS.

Presença de torcedores varia por jogo e cidade

Com representantes de todos os continentes, incluindo Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras, o Mundial tem registrado diferentes níveis de público a cada partida, com o jogo de abertura entre Inter Miami e Al Ahly levando 60.927 torcedores a um estádio com capacidade para 65.326. Em Cincinnati, o duelo entre Bayern de Munique e Auckland City terminou recebeu pouco mais de 21 mil pessoas. Já no Rose Bowl, em Pasadena, PSG e Atlético de Madrid reuniram 80.619 fãs.

No MetLife Stadium, o embate entre Palmeiras e Porto atraiu 46.275 espectadores. Botafogo e Seattle se enfrentaram diante de 30.151 presentes no Lumen Field. Já em Atlanta, Chelsea e LAFC jogaram para 22.137 pessoas em um estádio que comporta 71 mil. No duelo entre Flamengo e Espérance, foram 25.797 pagantes no Lincoln Financial Field, número aquém do esperado para uma arena que comporta quase 68 mil.

FIFA aposta em descontos e ações promocionais para encher estádios

Para tentar aumentar a presença de público, a FIFA passou a adotar medidas mais agressivas, visto que após o sorteio realizado em dezembro, o ingresso mais barato custava US$ 349, mas já no início deste mês o valor mínimo caiu para US$ 55. Estudantes do Miami Dade College, que conta com mais de 100 mil matriculados, puderam comprar entradas por US$ 20, com direito a quatro ingressos adicionais gratuitos.

Durante a partida entre Palmeiras e Porto, torcedores no MetLife receberam um QR code nos telões que dava 20% de desconto para novos ingressos na fase de grupos. Ainda assim, o bilhete mais em conta para uma tarde de jogo durante a semana, em Atlanta, saía por US$ 52.

Segundo dados fornecidos pela própria entidade à reportagem do The Athletic, os torcedores da Inglaterra, Espanha e Itália não aparecem entre os dez países com mais compras de ingressos, o que mostra uma certa resistência europeia ao torneio no fim da temporada.

Parte dessa desconfiança foi contornada com a confirmação de um contrato global com a DAZN, que garantiu os direitos de transmissão por US$ 1 bilhão, valor viabilizado por aportes sauditas. O acordo ajudou a apaziguar os principais clubes europeus, que asseguraram boa parte da receita de participação (entre US$ 12,81 milhões e US$ 38,19 milhões​), com bônus de até US$ 125 milhões para o campeão.

Em nota oficial, a FIFA declarou esperar estádios cheios e clima vibrante durante a competição. A organização classificou o evento como um momento em que os melhores do mundo se enfrentam, prometendo uma atmosfera de alto nível e grande visibilidade internacional.

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