Aposta Esportiva

Leicester vive temporada desastrosa e se envolve em polêmica com patrocinadora de apostas

Além de ser rebaixado para a segunda divisão, o clube também enfrentou sérios problemas com sua principal patrocinadora, a plataforma de apostas BC.Game

10 de junho de 2025

4 minutos de Leitura

A temporada 2024/2025 foi marcada por grandes dificuldades para o Leicester City. Além de ser rebaixado para a segunda divisão ao terminar em 18º lugar com apenas 25 pontos somados, o clube também enfrentou sérios problemas com sua principal patrocinadora, a plataforma de apostas BC.Game.

Anunciado em julho de 2024 como um contrato de longo prazo, o acordo previa que a marca seguiria no uniforme do time ao menos até o encerramento da temporada 2025/2026 — último período antes da nova regra que proíbe empresas de apostas de estamparem suas marcas nas camisas dos clubes da Premier League, válida a partir de 2026/2027.

No entanto, os planos foram interrompidos ainda em 2024, quando o órgão regulador de jogos de Curaçau iniciou um processo para cancelar a licença de operação da BC.Game. A medida veio após diversas queixas de usuários alegando bloqueio de saques e outras irregularidades na plataforma.

Na ocasião, o Leicester divulgou uma nota pública, afirmando que a patrocinadora havia garantido que o processo era de natureza técnica e que não envolvia questões financeiras. Segundo o clube, a empresa estaria recorrendo da decisão e mantinha plena capacidade de honrar seus compromissos comerciais. Com o passar dos meses, entretanto, a situação mostrou-se mais grave do que parecia inicialmente.

Empresa fantasma e licenças duvidosas

Após perder a autorização para atuar em Curaçau, a BC.Game transferiu suas operações para Anjouan, uma das ilhas do arquipélago das Comores, no Oceano Índico, e passou a alegar estar operando sob uma licença emitida em Belize, em nome da empresa Twocent Technology Limited. Mas uma apuração do site norueguês Josimar Football, divulgada nesta terça-feira (10), apontou que essa companhia sequer consta nos registros oficiais de Belize.

De acordo com a matéria, um dos apostadores prejudicados pela plataforma entrou em contato com a Comissão de Serviços Financeiros de Belize, que confirmou não haver nenhuma empresa registrada com esse nome no país. Além disso, o nome da suposta empresa não aparece em bases de dados globais como a Open Corporates, que reúne informações sobre centenas de milhões de companhias em mais de 140 países.

No Reino Unido, a BC.Game atuava por meio de uma licença obtida em parceria com a TGP Europe. Essa autorização, no entanto, foi cancelada em novembro de 2024. Em maio de 2025, a TGP Europe encerrou suas atividades no território britânico, no contexto de uma investigação conduzida pela Comissão de Jogos do Reino Unido (GBGC).

Consequências para os acordos comerciais

A retirada da TGP Europe do Reino Unido impactou diretamente várias plataformas de apostas que patrocinam clubes da Premier League. Entre os exemplos estão o Fulham, patrocinado pela Sbotop, e o Wolverhampton, que tem acordo com a Debet. Vale destacar, no entanto, que nem todas essas empresas focam o mercado britânico — o Bournemouth, por exemplo, é apoiado pela BJ88, voltada principalmente para o público asiático.

Mesmo sem licença válida no Reino Unido, empresas de apostas ainda podem firmar parcerias com clubes da Premier League, desde que não direcionem seus serviços aos consumidores locais. Um exemplo recente é a Stake, que abandonou o mercado britânico no início de 2025 para reforçar sua presença em regiões como o Brasil, onde atualmente patrocina o Juventude. Apesar da saída, a marca permanece como patrocinadora máster do Everton.

Com a intensificação da fiscalização sobre as casas anteriormente vinculadas à TGP Europe, a GBGC alertou os clubes ingleses sobre os riscos legais associados a esses acordos. Para evitar sanções, as equipes precisam demonstrar que as plataformas com as quais se associam não têm alcance sobre o público britânico, nem mesmo por meios indiretos como o uso de VPNs.

Mesmo após perder a licença no Reino Unido, a BC.Game continuou oferecendo seus serviços no país, utilizando domínios alternativos e estratégias técnicas para contornar restrições geográficas. A manobra evidencia os desafios regulatórios do setor e coloca o Leicester no centro de mais uma controvérsia fora dos gramados.

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