Um dos principais nomes do Brasil na história no vôlei de praia, Ágatha Bednarczuk Rippel construiu uma carreira sólida, com títulos no circuito mundial, conquistas no cenário nacional e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, ao lado de Bárbara Seixas.
A ex-atleta se despediu das competições em dezembro de 2024, encerrando um ciclo de destaque que a colocou entre as referências do esporte no país, acumulando 146 participações em torneios internacionais, com 12 títulos e 14 vices. Pouco tempo depois de anunciar a aposentadoria, em fevereiro de 2025, Ágatha foi contratada pelo Grupo Globo como comentarista, função que já havia desempenhado nos Jogos de Paris 2024.
Atualmente, ela se dedica à nova rotina fora das quadras, dividida entre o trabalho no SporTV, seu projeto social em Paranaguá, a criação de conteúdo e os cuidados com sua filha. Em entrevista ao MKT Esportivo, contou como a disciplina e os valores que construiu no esporte seguem sendo fundamentais para buscar equilíbrio em meio a tantos novos papéis.
“O que eu estou amando nessa transição é perceber que a Ágatha atleta nunca vai deixar de existir, não importa a área em que eu atue. Tudo o que aprendi no esporte, o foco, disciplina, flexibilidade, comunicação, vai comigo. Seja na TV com uma comunicadora ou no meu projeto social, esses valores estarão sempre presentes. Eles fazem parte de quem eu sou. E vou aplicar todos eles em tudo que eu fizer”, afirmou.
Muito além das areias: Ágatha e a luta por direitos das atletas
Ágatha Rippel não se destacou apenas pelas conquistas nas areias do vôlei de praia, seja em Jogos Olímpicos, torneios mundiais ou nacionais. Fora das quadras, ela também teve um papel essencial como voz ativa na luta por mais direitos para atletas mulheres.
Durante a gravidez de sua filha, Kahena, Ágatha se envolveu diretamente em discussões com a Secretaria do Esporte do Paraná e o programa Geração Olímpica e Paralímpica. A partir dali, ajudou a promover uma mudança no regulamento estadual, que passou a permitir que gestantes e puérperas utilizassem resultados anteriores à gravidez para manter benefícios por até seis meses.
O impacto foi além do Paraná: em 2023, uma nova lei federal passou a garantir o pagamento contínuo de bolsas durante toda a gestação e nos seis meses após o parto. Para Ágatha, isso representa um avanço na construção de um esporte mais justo, onde ser mãe não é mais visto como um ponto final na carreira.
Com coragem e presença, ela ajudou a abrir caminhos, influenciar patrocinadores, mexer com estruturas e provar que a maternidade pode ser também um momento de continuidade e reconhecimento, mudando o jogo para todas.
“Acho que sempre vou poder ser uma referência para as atletas que vierem depois. Tive a chance de liderar um movimento importante por mudanças nas regras da Federação Internacional sobre maternidade no vôlei de praia. Fico feliz em ter contribuído para que outras mães possam usufruir desses direitos, que nunca vi como privilégio. Ser mãe e seguir como atleta é um direito. Mesmo fora das quadras, quero seguir ajudando com minha voz e presença. Ainda vou entender como, mas estarei sempre envolvida nessa causa”, disse.
Ágatha revelou o valor de mostrar quem realmente é para além das competições, dividindo nas redes sociais momentos da sua rotina e experiências pessoais. Ao se expor com verdade, ela reforça o quanto é essencial ocupar esse espaço com liberdade e presença, conectando-se com outras mulheres e atletas com uma voz ativa dentro e fora das quadras.
“Para mim, autenticidade tem a ver com verdade e acho que a rede social, acho que isso é muito nítido para todo mundo, é um recorte da vida da pessoa. Então se é um recorte, que seja feito com muita verdade. Esse é o meu pensamento. Então, tudo que eu mostro no meu dia dia nas minhas redes, é pura verdade, não tem nada criado, não tem nada fake, é aquilo mesmo”, garantiu.
Os próximos passos
Pensando nos planos para o futuro, Ágatha disse que está vivendo uma fase de transição com alegria e abertura para novas possibilidades. Depois de tantos anos focada exclusivamente na performance esportiva, ela agora quer explorar diferentes caminhos: investir na área da comunicação, ampliar seu trabalho com centros de treinamento, atuar como mentora, dar mais espaço às palestras e seguir motivando pessoas com sua trajetória.
Para ela, o pós-carreira não será feito de uma única escolha, mas da soma de várias frentes que refletem tudo o que construiu até aqui.
“Eu considero que estou vivendo uma fase de experimentação, tentando entender qual caminho seguir depois de tantos anos dedicados à alta performance. Foi uma vida tão intensa que nem dava para planejar o pós-carreira. Hoje, me sinto feliz por ver várias portas se abrindo. Dediquei muito tempo a uma só: a performance. Então, realmente sempre foi minha prioridade e tudo ficou em segundo plano na minha vida. Agora poder ter várias portinhas, isso me deixa também bem feliz por estar vivendo várias coisas diferentes nesse momento”, concluiu ao MKTEsportivo.

Foto: Reprodução/ Instagram Agatha_rippel






