Indústria

Avanço digital, comercial e em inclusão consolidam trajetória de crescimento do CPB

Números nas redes sociais, parcerias para as Paralimpíadas e o compromisso com o letramento social foram destacados pela diretora de marketing da entidade

Foto: Ezra Shaw (Getty Images)

29 de julho de 2025

6 minutos de Leitura

Após um desempenho memorável nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris em 2024, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) começam a dar os primeiros passos rumo ao próximo ciclo, com foco em Los Angeles 2028.

O COB, que com o Time Brasil em 2024 garantiu 20 medalhas ao todo (3 de ouro, 7 de prata e 10 de bronze), passou a se posicionar de forma ainda mais forte nos âmbitos digital e comercial, alcançando maior evidência também fora das competições. Em junho deste ano, a entidade anunciou os patrocinadores para o próximo ciclo olímpico, apresentou novidades na produção de conteúdo e lançou um novo programa de patrocínio.

O CPB e o Brasil Paralímpico também vêm fortalecendo sua marca desde antes das inúmeras conquistas nas Paralimpíadas de Paris, onde o país conquistou 89 medalhas (25 de ouro, 26 de prata e 38 de bronze). O sucesso da parceria com a ASICS, a liderança em alcance digital com temática paralímpica e o maior acordo de patrocínio da história com as Loterias Caixa foram pontos de destaque.

Em entrevista exclusiva ao MKTEsportivo, a diretora de marketing do Comitê Paralímpico Brasileiro, Loraine Ricino, destacou a importância do novo acordo com a Caixa.

“O novo contrato com as Loterias Caixa é o maior já firmado pelo CPB e consolida mais de 20 anos de parceria. Foi renovado até 2028 e reforça a confiança no esporte paralímpico como ferramenta de transformação social e projeção internacional do Brasil. Mais do que aporte financeiro, trata-se de um compromisso com a inclusão, a diversidade e a excelência. O investimento garante estrutura, fomenta talentos e mantém o Brasil entre as potências paralímpicas. É também uma vitrine de soft power e uma oportunidade estratégica para marcas que desejam associar sua imagem a causas genuínas”, disse Loraine.

A executiva também ressaltou a importância do investimento para a estrutura e melhora no desempenho esportivo, que resulta não apenas em medalhas, mas também em mais inclusão e representatividade para pessoas com deficiência.

“O Comitê Paralímpico Brasileiro tem construído ao longo dos últimos anos um modelo de gestão que é reconhecido como um dos mais organizados e eficientes do esporte nacional. Somos muito criteriosos na aplicação dos recursos recebidos, buscando sempre maximizar seu impacto em toda a cadeia esportiva: desde o fomento à base, a descoberta de talentos e o apoio à iniciação, até o desenvolvimento técnico-científico e a preparação dos atletas no mais alto rendimento. Além disso, As marcas que nos apoiam estão se associando a um movimento que simboliza inclusão, resiliência e excelência. Elas se conectam de forma genuína com o público, demonstrando compromisso com causas relevantes e alinhamento com expectativas sociais cada vez mais exigentes, representando muito mais do que apenas a exposição de marca ou de logotipos em uniformes”, explicou.

Foto: Reprodução/CPB

Crescimento digital e Licenciamento

No âmbito digital, o CPB foi considerado o maior em alcance entre os 25 comitês nacionais, segundo o Ranking Digital de Comitês Nacionais Paralímpicos, do Ibope Repucom. O Brasil Paralímpico liderou nesse quesito mesmo ocupando a segunda posição em número de inscritos nas plataformas digitais, atrás apenas dos Estados Unidos. Vale ressaltar que os EUA não possuem perfis dedicados exclusivamente ao conteúdo paralímpico.

“Buscamos criar conteúdos que sejam acessíveis, emocionantes e informativos. Falamos sobre resultados e competições, claro, mas também destacamos os bastidores, os treinos, os depoimentos dos atletas, seus desafios e suas vitórias fora das pistas. Queremos mostrar que o esporte paralímpico não é apenas um palco de superação individual, mas um ambiente de alta performance, de protagonismo e de transformação social”, explicou a diretora de marketing sobre os conteúdos em redes sociais do Comitê.

“Outro ponto central é o compromisso com o letramento social. Sabemos que ainda há muito desconhecimento e preconceito, muitas vezes inconsciente, sobre o tema da deficiência e do capacitismo. Por isso, nossas redes são também um espaço para abrir conversas, propor reflexões e ampliar o entendimento da sociedade sobre inclusão, através de vídeos curtos, séries documentais, posts educativos, lives, enquetes, sempre buscando a linguagem mais adequada para cada plataforma e público”, completou.

A estratégia da entidade também passa pelo campo do licenciamento esportivo. Loraine ressalta como as grandes parcerias com marcas de destaque auxiliam o esporte paralímpico como um todo e fortalecem a conexão dos atletas com o público.

“Quando marcas consolidadas como Asics, Havaianas ou uma franquia global como Looney Tunes escolhem se associar ao Comitê Paralímpico Brasileiro, elas estão, na prática, amplificando a relevância do movimento. Isso projeta uma imagem de profissionalismo, qualidade e excelência, ajudando a consolidar o Brasil como referência internacional em esporte paralímpico. Em termos práticos, o licenciamento oficial, como o lançamento dos novos uniformes da Asics ou coleções com Havaianas e Looney Tunes, amplia a visibilidade do esporte para públicos que muitas vezes não tinham contato direto com o movimento paralímpico. Além disso, essas parcerias geram receitas adicionais para o Comitê e ajudam a mudar a percepção social sobre as pessoas com deficiência e a projetar nossos atletas como ídolos, reconhecidos por sua excelência esportiva e capacidade de inspirar milhões de brasileiros”, destacou.

Foto: Wander Roberto/CPB

Los Angeles 2028

Com os Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028 como próximo grande objetivo, Ricino revelou as principais motivações para o fortalecimento da visibilidade e do posicionamento do CPB nos próximos anos.

“Queremos que o Comitê Paralímpico Brasileiro seja cada vez mais conhecido e admirado por todos os brasileiros. Temos ativos muito valiosos para contar essa história, como o nosso Centro de Treinamento Paralímpico, um dos quatro melhores do mundo, com 95 mil metros quadrados dedicados à excelência esportiva. Também temos o maior número de seguidores entre os Comitês Paralímpicos no mundo (mais de 1,5 milhão), mas isso representa menos de 1% do público potencial num país com mais de 150 milhões de usuários ativos em redes sociais. Esses números revelam um imenso espaço para crescimento e engajamento. Queremos chegar aos Jogos com um time ainda mais forte, com uma base de patrocinadores mais ampla e engajada, e com um público cada vez maior e mais conectado com o Brasil Paralímpico”, concluiu.

Tags:CPB
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