Coluna

CazéTV: a maior revolução da mídia esportiva na era moderna

Com um modelo direto-ao-consumidor e distribuição gratuita, a plataforma foi uma resposta ousada ao gap deixado pelas TVs tradicionais

07 de julho de 2025

4 minutos de Leitura

Eduardo Esteves
Eduardo Esteves
Fundador do MKTEsportivo

Por anos, o mercado de transmissões esportivas seguiu um roteiro previsível: grandes conglomerados de mídia disputando direitos, narrativas lineares, formatos tradicionais e um distanciamento crescente da nova geração de consumidores. A chegada da CazéTV quebrou esse ciclo e reescreveu as regras do jogo. E eu quero contextualizar.

O projeto nasceu como uma solução de última hora, durante a Copa do Mundo do Catar em 2022, quando a FIFA abriu a venda de direitos digitais para o mercado brasileiro. Naquela época, o MKTEsportivo criou um projeto de entrevistas e prontamente destacou o trabalho que a CazéTV desenvolvia.

Com um modelo direto-ao-consumidor e distribuição gratuita pelo YouTube e Twitch, a plataforma foi uma resposta ousada ao gap deixado pelas TVs tradicionais. O resultado? Uma audiência massiva, engajamento fora da curva e o início de uma mudança estrutural no modelo de consumo de conteúdo esportivo.

O que parecia um experimento virou empresa.

Após o sucesso na Copa, a CazéTV acelerou sua estratégia comercial. Ela já se posicionava como uma nova mídia esportiva com ambição de ser protagonista nas negociações de direitos. Veio o Campeonato Carioca, depois a Copa do Brasil, os amistosos da Seleção Brasileira, as Eliminatórias da Copa, o Mundial de Clubes, Champions League feminina, Jogos Olímpicos, entre outros.

O modelo de negócio é claro: uma combinação entre direitos adquiridos, um squad de profissionais que entende perfeitamente a linguagem e atitudes dos jovens, patrocínios entregues via branded content e distribuição aberta, garantindo alcance gigantesco e inventário comercial valioso para as marcas.

Na Copa do Mundo de Clubes, inclusive, a CazéTV transmitiu Flamengo x Chelsea e bateu 4.9 milhões. Em Santos x Corinthians, no encontro de Neymar com Memphis pelo Paulistão, 4.8 milhões. Pico de 4 milhões simultâneos durante a final da ginástica artística por equipes nos Jogos de Paris 2024, considerada a maior live de esporte olímpico do mundo. Apenas para citar alguns.

Em métricas digitais, isso é um desempenho que rivaliza com as maiores audiências da TV aberta.

O conteúdo ao vivo é só a ponta do iceberg. A CazéTV tem a capacidade única de prolongar a vida útil de cada transmissão. Não à toa que eles potencializaram o uso dos cortes, seja para o pós-jogo, com gols, reações e lances polêmicos, seja em acontecimentos marcantes e bem-humorados oriundos de reportagens.

Neste sentido, a CazéTV trabalha com uma lógica de economia de atenção fragmentada: ela distribui conteúdo de forma estratégica, entendendo que o pós-jogo no TikTok, Reels e no YouTube é tão relevante quanto a audiência ao vivo.

Isso gera duas vantagens de negócios: inventário robusto para os patrocinadores, que ganham visibilidade também nos cortes; e captação e fidelização de audiência jovem, que muitas vezes consome apenas o conteúdo fracionado e depois migra para o ao vivo.

O maior legado da CazéTV, até aqui, é cultural. Ela conseguiu romper a barreira geracional que afastava os jovens da transmissão esportiva tradicional. O público Z e Alpha, que já vivia em um universo de creators, memes, chats ao vivo e linguagem despojada, encontrou na CazéTV um “parceiro” de transmissão que fala sua língua.

E mais: muitos dos apresentadores e narradores da CazéTV são criadores de conteúdo antes de serem jornalistas ou narradores de formação. Isso cria identificação, espontaneidade e um modelo de influência que as emissoras “tradicionais” penam para replicar.

No fim, ela obrigou os players tradicionais a repensarem seus modelos. Globo, SBT, ESPN e Warner estão migrando para uma comunicação mais multiplataforma e menos engessada. A concorrência por direitos virou um novo leilão onde alcance digital pesa tanto quanto audiência de TV.

Além disso, marcas que antes só investiam em TV aberta hoje colocam boa parte do orçamento de mídia esportiva em projetos digitais.

Muito além de uma revolução de formato, a CazéTV representa uma mudança de modelo na mídia esportiva. Ela conecta com a nova geração, é figura central nas narrativas digitais, monetiza o que entrega e, acima de tudo, tem conseguido liderar a conversa esportiva no Brasil.

Em termos de negócios, a CazéTV é, hoje, o maior case de disrupção na mídia esportiva brasileira desde a chegada da TV paga nos anos 90.

E tudo isso em menos de três anos.

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