A Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, caminha para se tornar a edição mais prejudicial ao clima em toda a história do torneio. Segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (9) pela organização Scientists for Global Responsibility (SGR), o evento poderá gerar mais de 9 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e).
Essa marca representa um aumento de 92% nas emissões em comparação com a média das últimas quatro Copas do Mundo. A edição de 2022, realizada no Catar, por exemplo, gerou até 5,25 milhões de toneladas de CO2e.
A expansão da competição para 48 seleções, que resultará em 40 partidas a mais, é apontada como um dos principais fatores por trás da explosão nas emissões. Com a competição ocorrendo em três países de vasto território, o transporte aéreo de torcedores, delegações e equipes será responsável por aproximadamente 7,72 milhões de toneladas de CO2e, segundo o estudo.
Para efeito de comparação, a quantidade total de emissões estimada para o torneio equivale ao que seria produzido por cerca de 6,5 milhões de carros médios britânicos rodando por um ano.
Impactos climáticos ameaçam segurança nos estádios
Além das preocupações com emissões, o relatório destaca riscos diretos à saúde dos jogadores devido ao calor extremo em algumas sedes.
De acordo com uma análise liderada pelo Environmental Defense Fund, dos Estados Unidos, seis dos 16 estádios que receberão partidas enfrentam níveis de “estresse térmico”.
O AT&T Stadium, em Dallas, é citado como um dos locais mais críticos. Em média, a cidade registra temperaturas acima de 35°C em 37 dias por ano, e a temperatura de bulbo úmido (que considera calor e umidade) atinge 28,6°C em julho, valor que ultrapassa os limites de segurança definidos pela própria FIFA.
Futuras Copas também em alerta
Se as projeções se confirmarem, a Copa de 2026 terá uma pegada de carbono superior até mesmo às próximas duas edições do Mundial. A Copa de 2030, que será disputada por Espanha, Portugal e Marrocos, tem estimativa de emissão de 6,09 milhões de toneladas de CO2e. Já a edição de 2034, que será realizada na Arábia Saudita, poderá atingir 8,55 milhões de toneladas.
Para o Dr. Stuart Parkinson, diretor executivo da Scientists for Global Responsibility, é urgente que a FIFA reconheça sua responsabilidade na crise climática global.
“A Fifa deve assumir a responsabilidade por seu crescente papel na crise climática. Com a crise climática se agravando rapidamente, a única resposta sensata é que a Fifa tome medidas imediatas para reduzir significativamente as emissões dos torneios”, disse o Dr. Stuart Parkinson.





