Indústria

Eagle Football Group divulga queda de receitas e projeta forte déficit no Lyon

O grupo reportou um faturamento de € 273,8 milhões, quase € 90 milhões a menos do que o registrado no exercício anterior

Foto: Lyubomir Domozetski/Lyon

29 de julho de 2025

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O Eagle Football Group, holding com sede na França responsável pela administração do Olympique Lyonnais e liderada pelo investidor norte-americano John Textor, divulgou nesta semana o relatório financeiro referente à temporada 2024/25.

O grupo reportou um faturamento de € 273,8 milhões, quase € 90 milhões a menos do que o registrado no exercício anterior, quando as receitas chegaram a € 361,3 milhões.

Mesmo com o crescimento nas receitas provenientes da venda de ingressos (+€ 8,9 milhões) e de transferências de jogadores (+€14,3 milhões), a área comercial manteve-se estagnada. O clube também enfrentou queda significativa nos valores arrecadados com direitos de transmissão, influenciada, em parte, pela desvalorização dos contratos da Ligue 1, e reduziu o faturamento com eventos no Groupama Stadium.

Diante desse cenário, o grupo projeta um “resultado fortemente deficitário” para o atual exercício. No comunicado oficial, a empresa declarou que, apesar das dificuldades, mantém o compromisso de assegurar a estabilidade financeira e operacional do clube no longo prazo.

Conflito entre acionistas e denúncias

A divulgação dos resultados ocorre em meio a uma disputa interna entre John Textor, a presidente Michele Kang e a Ares Management, uma das principais credoras da operação e também acionista do Eagle Football Group. Em junho, Textor se afastou da gestão do Lyon após o órgão regulador financeiro do futebol francês anunciar o rebaixamento do clube por falta de garantias para o pagamento de uma dívida de €175 milhões.

A crise se intensificou após denúncias apontarem que recursos do Lyon teriam sido usados para reforçar o elenco do Botafogo. Segundo o relatório, foram gastos € 91,7 milhões em contratações de jogadores que jamais atuaram pelo Lyon, mas jogaram pelo clube carioca, entre eles, Luiz Henrique, Igor Jesus e Jair Cunha. O documento também aponta pagamentos relacionados a 54 atletas, embora o elenco do Lyon conte com apenas 30 jogadores.

A apelação do clube à Federação Francesa de Futebol foi aceita, após o compromisso formal de seguir as regras de fair play financeiro e garantir o afastamento de Textor da gestão, ainda que ele mantenha sua posição como acionista majoritário.

Nos bastidores, Kang e a Ares Management se articulam para afastar definitivamente o empresário não apenas do Lyon, mas de toda a operação de futebol gerida pelo Eagle Football Group.

Situação financeira crítica

O relatório semestral revelou um prejuízo líquido de €117 milhões, praticamente o dobro da perda registrada no mesmo período do ano anterior, e um EBITDA negativo de €46,1 milhões. A dívida total consolidada do grupo está estimada em €445,5 milhões, apesar de ligeira redução em relação ao período anterior.

Entre as medidas previstas para enfrentar a crise estão novos aportes de capital via IPO nos Estados Unidos, que podem injetar até €150 milhões, além da venda de ativos, como a participação no Crystal Palace.

Estratégia e futuro de John Textor

Após o revés institucional na França, John Textor tem buscado reorganizar suas participações. Ele criou uma nova empresa nas Ilhas Cayman, também chamada Eagle Football Group, que deve abrigar seus investimentos no Botafogo e no RWD Molenbeek, da Bélgica, separando esses clubes da holding que administra o Lyon.

Textor, que vendeu recentemente sua participação no Crystal Palace, já declarou que pretende concentrar seus esforços no desenvolvimento do Botafogo e em novos projetos globais. Internamente, ele também reconheceu que sua postura crítica ao modelo de governança francês foi um fator que contribuiu para o desgaste com os reguladores.

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