O secretário-geral da Fifpro (sindicato global dos jogadores de futebol), Alex Phillips, disse que os jogadores têm tido medo de se manifestar a respeito da carga excessiva de jogos e do impacto que isso pode ter em suas carreiras.
Em julho, o sindicato publicou um comunicado acusando a FIFA de “fechar os olhos para as necessidades básicas dos jogadores”, além de comparar o presidente da entidade, Gianni Infantino, a um “imperador”.
Muitas das críticas por parte do sindicato e dos próprios jogadores aumentaram com a realização da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, por acontecer logo após o fim da temporada 2024/25 dos campeonatos europeus e pelas partidas disputadas sob calor extremo nos Estados Unidos, país que sediou a competição.
“Conversei com algumas das maiores estrelas que iam jogar o Mundial de Clubes, e eles diziam que não tinham tido descanso por um longo período. Um deles chegou a dizer: ‘Só vou descansar quando me machucar’”, disse Phillips.
“E então você vê alguns desses mesmos jogadores, duas semanas depois, gravando vídeos para redes sociais dizendo ‘achamos o Mundial de Clubes ótimo’ porque seus empregadores estão mandando fazer isso.”
“É por isso que os sindicatos existem, em parte, para serem a voz deles, porque eles estão em uma posição delicada. Eles não podem falar. Não podem dizer exatamente o que pensam – até podem, mas isso pode ter consequências”, continuou.
A Fifpro Europa, ao lado de ligas nacionais, apresentou ainda no ano passado uma queixa legal à Comissão Europeia contra a FIFA. A tensão entre o sindicato e a entidade aumentou após a entidade organizar uma reunião sobre o bem-estar dos jogadores sem a participação da Fifpro, na véspera da final da Copa do Mundo de Clubes.
“O calendário de partidas sobrecarregado, a falta de períodos adequados de recuperação física e mental, as condições extremas de jogo, a ausência de diálogo significativo e o contínuo desrespeito aos direitos sociais dos jogadores infelizmente se tornaram pilares do modelo de negócios da FIFA; um modelo que coloca a saúde dos jogadores em risco e marginaliza aqueles que estão no centro do jogo”, escreveu a Fifpro em um comunicado no dia 25 de julho.
“A FIFA está extremamente desapontada com o tom cada vez mais divisionista e contraditório adotado pela liderança da Fifpro, já que essa abordagem claramente demonstra que, em vez de engajar em um diálogo construtivo, a Fifpro optou por seguir um caminho de confronto público movido por batalhas de relações públicas artificiais – que nada têm a ver com a proteção do bem-estar dos jogadores profissionais, mas sim com a preservação de suas próprias posições e interesses pessoais”, respondeu a FIFA.





