A primeira edição da Copa do Mundo de Clubes com 32 equipes terminou no domingo (13), com o Chelsea conquistando o título ao vencer o PSG na final. Realizado em solo norte-americano, o torneio movimentou torcedores ao redor do mundo, gerou bons índices de audiência para a Globo e CazéTV e ofereceu premiações elevadas aos times.
Gianni Infantino, presidente da Fifa, declarou que a competição foi um sucesso e revelou que o Real Madrid sugeriu à entidade que o evento passe a ser disputado a cada dois anos, entretanto, nem todo mundo aprovou o Mundial.
Sergio Marchi, presidente da Fifpro, sindicato global dos jogadores de futebol, divulgou uma nota oficial criticando duramente o campeonato. No texto, publicado no site da entidade, o dirigente classificou o torneio como um espetáculo desconectado da realidade da maioria dos atletas e o comparou a uma encenação de “pão e circo”.
“Embora a recente Copa do Mundo de Clubes da Fifa tenha gerado entusiasmo entre muitos torcedores e reunido alguns dos maiores nomes do futebol mundial em um único torneio, a Fifpro não pode deixar de apontar com absoluta clareza que esta competição esconde uma desconexão perigosa com a verdadeira realidade que a maioria dos jogadores de futebol no mundo enfrenta”, diz uma parte da nota.
“O que foi apresentado como um festival global do futebol não passou de uma ficção encenada pela Fifa, impulsionada por seu presidente, sem diálogo, sem sensibilidade e sem respeito por aqueles que sustentam o jogo com seus esforços diários. Uma encenação grandiloquente que inevitavelmente remete ao conceito romano de “pão e circo” de Nero – entretenimento para as massas enquanto, nos bastidores, a desigualdade, a precariedade e a falta de proteção dos verdadeiros protagonistas só aumentam”, informa o outro trecho.
Além da crítica ao modelo adotado, Marchi também apontou os riscos físicos enfrentados pelos jogadores nas 63 partidas realizadas durante o verão nos Estados Unidos. Segundo ele, o calor extremo comprometeu a integridade dos atletas e o calendário não comporta esse tipo de torneio, sendo que durante a competição, a entidade chegou a emitir um alerta sobre altas temperaturas fazendo sugestões de maiores intervalos para hidratação, entre outras observações.
Não faltaram queixas de atletas e treinadores sobre as altas temperaturas, visto que o clima foi um dos temas mais recorrentes nas entrevistas ao longo do Mundial de Clubes, com o dirigente destacando que algo semelhante não pode se repetir na Copa do Mundo de 2026, que será realizada entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México.
Outro ponto levantado por críticos se refere ao número de espectadores. Apesar de a Fifa ter comemorado o engajamento do público, equipes como Bayern, Manchester City, Juventus e PSG atuaram em estádios com menos de 30 mil torcedores.
Ao final do torneio, os números totais apontaram para quase 2,5 milhões de pessoas nos estádios ao longo dos 63 jogos, com média de 39.557 por partida, com o Real Madrid liderando a média de público entre os 32 times participantes, com 68,9 mil torcedores por confronto.






