Indústria

Modelo multiclubes de Textor balança com crise no Lyon e reação no Botafogo

O CEO Michael Gerlinger e a presidente do Conselho, Michele Kang, emergiram como opositores declarados do fundador americano

Foto: Lyubomir Domozetski/Lyon

19 de julho de 2025

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A iminência de rebaixamento do Lyon expôs tensões profundas dentro da Eagle Football Holdings, conglomerado liderado pelo empresário John Textor, detentor de 90% da SAF do Botafogo. A ala francesa do grupo foi sacudida pelo risco de queda do time na Ligue 1, após a DNCG (órgão regulador do futebol gaulês) apontar ausência de garantias no pagamento de uma dívida estimada em € 175 milhões.

Sob pressão financeira, Textor renunciou ao comando do Lyon em junho, dando lugar a uma nova dupla à frente do clube: o CEO Michael Gerlinger e a presidente do Conselho, Michele Kang, que emergiram como opositores declarados do fundador americano.

O clima piorou quando o jornal L’Équipe revelou que o Lyon teria desembolsado € 91,7 milhões para contratar brasileiros como Luiz Henrique, Igor Jesus e Jair Cunha, todos atletas que acabaram no Botafogo em 2024, sem jamais vestirem a camisa francesa. Em paralelo, o clube registrou gastos com salários de 54 jogadores, embora o elenco contasse com apenas 30 atletas registrados.

Dois dias após a repercussão, o Comitê de Apelação da Federação Francesa (FFF) manteve o clube na elite nacional, após Lyon prometer aderir às regras de fair play. No encontro estavam presentes Gerlinger, Kang e Mark Affolter (da Ares Management, parceira financeira de Textor), que se comprometeram a afastar Textor da gestão, mesmo permanecendo como acionista majoritário. A imprensa francesa afirma que a cúpula do Lyon busca não só remover Textor da direção local, mas também da Eagle e de toda a rede multiclube.

No Brasil, o movimento ganhou força naquela que é considerada a joia da coroa do conglomerado: o Botafogo. Porém, o clube associativo, sócio minoritário na SAF, tem poder de veto em decisões sobre o controle. Liderados por João Paulo Magalhães Lins, diretoria e conselho social emitiram um manifesto de apoio a Textor, garantindo sua permanência.

“Não permitimos que nada de ruim acontecesse a ele, pessoa física. É nosso, pertence ao Botafogo”, declarou Magalhães Lins ao ge.

Restringido no Brasil, Textor respondeu com postagens no Instagram.

“Perseguindo troféus, recrutando sem algemas. Tão prazeroso comandar um clube sem agendas políticas envolvidas”, escreveu em seus stories, deixando claro que não pretende recuar na disputa corporativa que já se estende desde a Europa até o cenário do futebol brasileiro.

John Textor entende que o embate com Michele Kang e o fundo Ares Management não será resolvido com postagens provocativas ou declarações nas redes sociais. Diante disso, tem adotado uma estratégia para proteger seus principais ativos no futebol, especialmente o Botafogo e o RWD Molenbeek, da Bélgica.

De acordo com o jornal O Globo, o empresário criou uma nova estrutura jurídica nas Ilhas Cayman, território ultramarino britânico conhecido por oferecer vantagens fiscais. A nova empresa, chamada Eagle Football Group, foi constituída com o objetivo de assumir o controle tanto do clube carioca quanto do belga.

Com a mudança, Botafogo e Molenbeek deixariam de fazer parte da Eagle Football Holdings, holding que também é responsável pelo Lyon, clube que se tornou o epicentro da crise envolvendo Textor. Mesmo com a separação, o executivo seguiria, ao menos por ora, à frente das duas organizações, embora os clubes passem a operar em estruturas distintas.

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