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O que a Fórmula 1 ganha em seu retorno à Globo?

Mais do que apenas exibir corridas, a Globo tem know-how para transformar as narrativas do campeonato em fenômenos midiáticos em solo nacional

Foto: Divulgação

14 de julho de 2025

2 minutos de Leitura

Renan Camargo
Renan Camargo
Analista da indústria do esporte a motor do MKTEsportivo

A Fórmula 1 está de volta às telas do Grupo Globo. E, ao contrário do que parece, esse movimento não é apenas uma simples iniciativa comercial, ou um retorno à tradição. É, acima de tudo, uma decisão estratégica que pode levar a categoria a um novo patamar de visibilidade no Brasil.

Durante 5 temporadas, a Band vem fazendo um trabalho digno. Deu à F1 espaço de protagonista, formou uma equipe competente, apesar de algumas ressalvas já comentadas nessa coluna, assim como segurou uma audiência significativa mesmo sem o alcance que a Globo possui. Mais que isso, provou que o brasileiro ainda ama a categoria.

Mas agora, com o retorno à emissora carioca, a Fórmula 1 volta a ser um esporte de massa.

Se na Band o campeonato era acompanhado por um público fiel e engajado, na Globo ele volta a ter capilaridade. A força de penetração nacional, a presença em intervalos de novelas, o impacto de um “ao vivo” no meio da programação dominical. O “Plim Plim”, gostemos ou não, ainda é a maior vitrine da televisão brasileira.

Essa mudança tem implicações diretas. Patrocinadores ganham mais exposição, pilotos brasileiros como Gabriel Bortoleto e Rafael Câmara, que atualmente disputa a Fórmula 3, ampliam sua projeção comercial, assim como a própria F1 se reposiciona no mercado, podendo se tornar cada vez mais parte do assunto do almoço de domingo, da segunda-feira no trabalho e dos memes nas redes sociais.

Mais do que apenas exibir corridas, a Globo tem know-how para transformar narrativas em fenômenos midiáticos. Foi assim com Senna, Rubinho e Massa.

E, agora, com a F1 em alta globalmente, embalada pelo lançamento de seu primeiro filme oficial e pelo sucesso da série Drive to Survive, o terreno está fértil para atrair uma nova geração de fãs, muitos dos quais nem viveram os tempos áureos da categoria na emissora.

Claro, há um risco nesse retorno: o de tratar o campeonato como um produto engessado, encaixado entre os compromissos da grade. E nesse caso, o player carioca precisará provar que aprendeu com os erros do passado e que respeita o novo perfil do público. Uma audiência mais informada, mais exigente e acostumada a acompanhar automobilismo por múltiplas telas, e não só pela TV tradicional.

Tags:f1 globo
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