Coluna

Um turista no Super Mundial de Clubes

A minha experiência como espectador e profissional do setor, sobre a operação de estádio, transporte, comunicação, precificação de ingressos e ativação de marcas

22 de julho de 2025

3 minutos de Leitura

Fábio Wolff
Fábio Wolff
Fábio Wolff é sócio-diretor da Wolff Sports, e professor no MBA em Gestão e Marketing Esportivo na Trevisan Escola de Negócios e CBF Academy

Estive com a família por uma semana em Nova Iorque para assistir às semifinais e à final do evento.

MetLife Stadium: estádio com capacidade para 82.500 lugares. Na final havia 81.118 espectadores, um recorde FIFA. Sinalização excelente até chegar ao estádio, staff muito bem treinado. Fiquei impressionado com o número de acessos e a rapidez com que se realizava o fluxo de pessoas em direção ao estádio. Chegamos em horário de pico, apenas 10 minutos antes do início das partidas, mas como eram numerosos os pontos de revista, o processo ocorria com rapidez.

Transporte público: funcionou muito bem. Na saída do MetLife Stadium havia ônibus e trens que levavam para uma estação de trem, de forma gratuita. Da estação até Manhattan (Madison Square Garden) durava aproximadamente 35 minutos. Na ida pegamos um táxi, em torno de 30 minutos sem trânsito. Próximo ao início da partida, já se podia contar o dobro do tempo.

Promoção do evento: pude observar um número considerável de mídia OOH (out of home) por intermédio de outdoors, placas em pontos de ônibus e até mídias eletrônicas em táxis. Não se poderia afirmar que Manhattan respirava o evento, no entanto, a comunicação estava presente e bem feita.

Precificação dos ingressos: comprei pelo site assim que as vendas se iniciaram e adquiri por aproximadamente USD 550,00 o ingresso. À véspera das três partidas, notei que no site oficial (Ticketmaster) havia ainda muitos ingressos em resale, ou seja, pessoas que haviam comprado e estavam vendendo por valores menores do que foram adquiridos, além dos ingressos disponíveis na plataforma. Este fato nos incomodou, afinal, adquirir ingressos por valores menores e em locais melhores do que havia comprado deixa um gosto amargo na boca.

Na semifinal de Fluminense x Chelsea, a FIFA abriu um lote de ingressos a USD 13,40. Isso, na minha visão mercadológica do produto, foi um erro grave. Ao agir assim, a FIFA causa mal-estar aos milhares de torcedores que compraram com antecedência os seus ingressos. Se o receio era ter espaços vazios, então melhor seria distribuir os ingressos em escolas, para patrocinadores, entre outras formas.

O horário escolhido para os jogos foi insano, já que às três horas da tarde durante a alta temporada do verão deixou claro que a única preocupação da direção do evento foi com as emissoras de televisão. O calor era absurdo, tanto que tive que molhar a nuca e a cabeça do meu filho de 8 anos por inúmeras vezes. Foi quase insuportável para quem estava assistindo, imagine em relação aos jogadores, que tentavam se poupar em campo, ainda mais para os europeus em final de temporada e pouco acostumados com esse tipo de temperatura. Em suma, a exigência das emissoras se sobrepôs ao bem-estar dos torcedores e atletas. Ou se climatiza os estádios ou se altera o horário das partidas.

PDVs da Puma e da Adidas na Quinta Avenida: as lojas estavam personalizadas com a comunicação do evento, ao ponto de que a caixa na loja da Puma estava vestindo a camiseta do Palmeiras. Em ambas as lojas, as camisetas dos clubes patrocinados possuíam grande destaque.

O evento contou com evidentemente mais acertos do que erros. Considerando-se que foi a sua primeira edição, é possível afirmar que o Super Mundial foi um sucesso na medida em que se assistiu a bons e inusitados jogos, com placares imprevisíveis, de maneira que as vantagens se sobrepuseram aos problemas encontrados.

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