Indústria

AFA e River se opõem a decreto de Milei que eleva impostos dos clubes argentinos

Medida aumenta contribuições de 7,5% para 13%, com adicional temporário de 5,56%

Foto: Kent Nishimura/Bloomberg

01 de agosto de 2025

3 minutos de Leitura

A nova medida do governo argentino que altera o regime de contribuições previdenciárias dos clubes de futebol provocou forte reação da AFA e do River Plate, já que o decreto presidencial, divulgado no início desta semana, modifica a alíquota de 7,5% para 13%, com um adicional temporário de 5,56%. A federação e o clube classificaram a ação como “confiscatória”, criticando a pressão financeira imposta às instituições esportivas.

A decisão surge em meio ao esforço da gestão de Javier Milei para implantar no futebol argentino o modelo de sociedades anônimas esportivas, inspirado nas SAFs brasileiras. Apesar da proposta estar sendo colocada em pauta pelo governo, a maioria dos times demonstra resistência e vê a mudança como uma ameaça à estrutura tradicional do futebol no país.

Por meio de nota oficial, a AFA declarou que o decreto representa mais uma tentativa de enfraquecer as organizações esportivas, que já enfrentam dificuldades com os novos encargos, visto que a entidade também destacou o risco de o futebol argentino se tornar alvo de interesses financeiros externos, com foco em lucro e não em desenvolvimento esportivo ou comunitário.

No comunicado, a federação deixou claro que vê a iniciativa do governo como uma estratégia para fragilizar os clubes que operam sem fins lucrativos, criando um cenário de pressão financeira com o objetivo de forçar a adesão ao modelo de sociedades anônimas.

Segundo a AFA, essa mudança abriria caminho para investidores com foco em lucro, interessados em transformar os clubes e seus atletas, especialmente os formados nas categorias de base, em ativos financeiros. A entidade enxerga a proposta como uma ameaça à essência social e esportiva do futebol argentino.

O River Plate, por sua vez, também se posicionou de forma contrária à medida e reforçou que o aumento das contribuições, além de ser “confiscatório”, ameaça desfazer o impacto positivo das ações do clube na economia. A instituição ainda frisou o papel social que exerce e destacou que gera receitas genuínas em moeda estrangeira por meio das suas atividades, o que contribui diretamente com o país.

Responsável pela defesa pública do decreto, o ministro da Desregulação, Federico Sturzenegger, usou uma conta na rede social para justificar a mudança, alegando que as agremiações eram subsidiadas indiretamente por aposentados, ao pagarem menos impostos do que outras entidades no regime comum. Segundo o ministro, o reajuste da alíquota e o adicional temporário de 5,56% têm como objetivo compensar o déficit acumulado nesse período.

Enquanto o debate avança, os clubes seguem estruturados como associações civis sem fins lucrativos, e o modelo atual prevê que os sócios mantenham poder político nas decisões mediante pagamento de mensalidades, o que difere do formato empresarial que Milei tenta implementar desde o início do seu governo. Após as eliminações de Boca Juniors e River Plate ainda na fase de grupos da Copa do Mundo de Clubes, o presidente voltou a defender que o futebol argentino precisa se abrir ao capital privado.

Para as entidades esportivas, no entanto, a transformação dos times em sociedades anônimas abre espaço para a entrada de capital especulativo, colocando em risco o papel social, comunitário e associativo que sempre caracterizou o futebol no país.

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