Indústria

Botafogo aciona Justiça e aponta interesse de investidores na compra da SAF

Clube associativo entrou no processo movido pela Eagle para assegurar que, caso as obrigações não sejam cumpridas, tenha a prerrogativa de reassumir o controle da empresa

Foto: Wallace Lima / Botafogo

14 de agosto de 2025

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O Botafogo, por meio de seus representantes, apresentou manifestação nesta quinta-feira (14) no processo que tramita na Justiça do Rio de Janeiro envolvendo a disputa pelo controle da SAF alvinegra. A medida foi tomada em meio à ação movida no fim de julho pela Eagle, que acusa John Textor de adotar práticas consideradas “ilícitas” na condução do futebol do clube.

Na petição, a diretoria solicitou que seus direitos sejam preservados e informou que há interessados em assumir o comando da sociedade. Enquanto a definição sobre quem ficará à frente da gestão segue sendo debatida judicialmente entre o empresário norte-americano e os sócios da holding, o Glorioso confirmou que tem recebido abordagens de potenciais compradores da SAF.

De acordo com documento protocolado nesta quinta na 2ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, essas conversas partem de grupos relevantes do mercado.

“Atualmente o Clube Associativo vem sendo sondado por robustos e conhecidos investidores do mercado de capitais brasileiro, que vêm demonstrando aparente sólido interesse em adquirir o controle da SAF e de realizar significativos investimentos de longo prazo com vistas a obter retornos financeiros e esportivos também no longo prazo, de forma que o direito do Clube Associativo de retomar o controle da SAF não pode ser prejudicado por esta demanda”, diz um trecho da ação que não cita os nomes dos interessados.

Nesse contexto, o clube associativo entrou formalmente no processo movido pela Eagle para assegurar que, caso as obrigações previstas em contrato não sejam cumpridas pelos gestores atuais, tenha a prerrogativa de reassumir o controle da SAF.

“Assim, o Clube Associativo requer que, na hipótese de V.Exa. deferir, total ou parcialmente, qualquer dos pedidos realizados pela Eagle Bidco no âmbito desta ação cautelar, o eventual deferimento de tais pedidos deverá ressalvar os direitos do Clube Associativo previstos no Acordo de Acionistas, incluindo, mas sem qualquer limitação, o direito potestativo de diluir a Eagle Bidco em caso de não cumprimento das obrigações de aporte previstas nas cláusulas 3.3 e 3.4 do Acordo de Acionistas, de modo que qualquer medida liminar proferida por este d. Juízo não prejudique de maneira indevida direitos legítimos do Clube Associativo que sequer fazer parte do objeto desta cautelar”, informa a petição.

O acordo de acionistas que define as responsabilidades sobre a SAF do Botafogo foi firmado em 11 de março de 2022, quando John Textor adquiriu a empresa para comandar o departamento de futebol. No documento, duas cláusulas estabelecem obrigações específicas do investidor norte-americano enquanto permanecer no cargo de controle.

Uma dessas cláusulas prevê que o empresário arque com recursos próprios para cobrir, quando necessário, despesas operacionais e investimentos mínimos de R$ 16,6 milhões por mês (valores de 2022, corrigidos anualmente), além de garantir o pagamento de salários do elenco profissional, fixado em R$ 8,3 milhões na época, caso o caixa da SAF não seja suficiente. A outra cláusula trata de limites e parâmetros para o endividamento da empresa, com exigência de que sejam respeitados os termos definidos no contrato.

À frente da presidência do Botafogo desde o fim do ano passado, João Paulo Magalhães Lins mantém posição favorável à permanência de Textor na condução da SAF. Em julho, ele enviou correspondência a Christopher Mallon, diretor independente da Eagle, expressando preocupação com o impasse entre os sócios e afirmando que o clube não aceitaria mudanças na estrutura de gestão e no conselho administrativo enquanto durar a disputa.

Foto: Wagner Meier/Getty Images
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