A disputa entre Botafogo e Eagle ganhou novo capítulo nesta semana, quando representantes legais da SAF ingressaram com recurso na 2ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O pedido é para que a Justiça não valide a liminar apresentada pela holding, que busca suspender medidas adotadas por John Textor à frente da operação.
No documento, os advogados sustentam que o empresário americano mantém prerrogativa para conduzir decisões relacionadas à empresa, mesmo em meio ao impasse com os demais sócios, sendo que a peça jurídica acusa a Eagle de atuar para enfraquecer financeiramente a SAF e de promover ações consideradas artificiais para retirar Textor do comando, sem cumprir compromissos assumidos com o clube e seus credores. Em resumo, a defesa entende que a estratégia visa reduzir a capacidade operacional do Botafogo e abrir caminho para uma mudança forçada no controle.
A Eagle, por sua vez, moveu ação no fim de julho, alegando que desde o início de junho nenhuma medida societária poderia ser tomada sem a anuência do diretor da empresa, o advogado escocês Christopher Mallon. A acusação é de que empresário norte-americano ignorou essa exigência e realizou movimentações sem autorização, como a cessão de créditos do time carioca para uma empresa nas Ilhas Cayman, operação que poderia chegar a € 150 milhões.
Os representantes da SAF rebatem dizendo que não houve notificação oficial da Eagle sobre alterações no comando e reforçam que Textor ainda detém o controle efetivo da EAGLE BIDCO, com a prerrogativa até mesmo de substituir Mallon.
Entenda a polêmica
O histórico do empresário também pesa: ele foi afastado da presidência do Lyon após o clube escapar do rebaixamento em meio a dificuldades financeiras, situação que resultou em pressão de investidores para cortar seus vínculos com a equipe francesa. A Ares, uma das financiadoras da compra, foi a principal voz a favor do afastamento.
Na aquisição do Lyon, Textor contou com recursos emprestados da própria Ares, de Michele Kang, atual presidente da equipe francesa, e da Iconic Sports. Em troca, cedeu 40% das ações da Eagle Football, utilizando como garantias suas participações no Botafogo e no RWDM Brussels, da Bélgica, e mesmo após perder espaço segue assinando atas como dono da Eagle e do clube brasileiro.
Há cerca de três semanas, um movimento coordenado pela Ares sugeriu que recomprasse parte das ações do Alvinegro hoje vinculadas a um fundo de investimento.
Para que essa operação fosse viável, a Justiça exigiria que Textor se afastasse temporariamente do Botafogo até a conclusão da transação, evitando conflito de interesses, e dirigentes viram na proposta uma forma de afastá-lo do poder e reconfigurar o conselho. A tentativa não avançou após funcionários e o clube carioca enviarem carta à Eagle em defesa do investidor.
João Paulo Magalhães, presidente do clube social, tem sido um dos principais apoiadores de Textor e já levou essa posição diretamente a representantes da Eagle e da Ares. Embora a Eagle não descarte negociar sua fatia no Botafogo, a companhia afirma que não pretende vendê-la ao americano enquanto ele for parte das duas pontas da operação, para não correr o risco de acusações de fraude.
A alternativa, em tese, seria repassar o Alvinegro a outro investidor, mas a influência do conselho e a posição firme de Magalhães mantêm o cenário desfavorável a uma solução externa neste momento.





