O aumento nas tentativas de fraudes contra operadoras de apostas teve seu epicentro na América Latina em 2024, segundo levantamento da empresa global de verificação de identidade Sumsub. O relatório anual da companhia, que avalia os padrões de verificação na indústria de iGaming, apontou crescimento de 30% nos casos na região em relação ao ano anterior.
O Brasil se destacou negativamente, mesmo sem uma regulamentação efetiva vigente naquele ano. Quatro em cada cinco empresas que operam no continente relataram incidentes de fraude, sendo que a grande maioria, 78%, teve seus sistemas burlados com o uso de inteligência artificial para manipular documentos pessoais, com a proliferação de deepfakes especialmente alarmante no território brasileiro, que registrou um salto de 822% nesse tipo de ataque, índice cinco vezes superior ao dos Estados Unidos e 10 vezes maior do que o da Alemanha.
O cenário global também mostra preocupação crescente, com dados revelando que a maioria das operadoras de apostas, 83%, identificou crescimento nos golpes em 2024 em comparação com o ano anterior. O uso de inteligência artificial esteve presente em mais de três quartos desses episódios, e para mais de um terço das empresas, o avanço dessa tecnologia representa uma ameaça significativa.
Entre os problemas mais recorrentes estão a falsificação de identidade, lavagem de dinheiro, abuso de bonificações, fraudes em transações financeiras e o roubo de contas de usuários. Apesar do salto expressivo de tentativas na América Latina, a taxa média de fraudes na região (1,16%) ainda é inferior à observada na América do Norte (5,2%) e na Europa (5,1%). A África foi a única localidade com queda, registrando uma redução de 14,7% nos casos.
Entre os pontos mais vulneráveis das plataformas, os depósitos continuam sendo o alvo preferido de quem tenta fraudar o sistema, reunindo 41,9% dos ataques detectados. A segunda etapa mais visada é o processo de cadastro de novos usuários, seguido pelas retiradas de valores e até mesmo ações dentro das próprias atividades de apostas. As investidas ocorrem, com maior frequência, entre 4h e 8h da manhã, período que coincide com menor presença de operadores humanos atuando em compliance e com tráfego reduzido de jogadores reais, o que amplia a margem de ação para os golpistas.
Bets no Brasil
No caso do Brasil, o mercado de apostas ficou anos sem controle, pois mesmo legalizado desde 2018, só começou a funcionar com regras claras a partir de janeiro de 2025. As normas em vigor exigem agora recursos como biometria na identificação do usuário, uso de fornecedores com certificações internacionais de segurança da informação e penalidades financeiras que podem alcançar até R$ 2 bilhões em situações de descumprimento.
Ainda assim, o setor continua enfrentando desafios com o ritmo acelerado das exigências. Uma parcela relevante dos operadores globais, 29,5%, admite dificuldades para se adequar às novas demandas, principalmente nas áreas de prevenção à lavagem de dinheiro, proteção de dados e comprovação de idade.
Avanços para conter as fraudes
Para conter os riscos e se adaptar ao novo ambiente, as empresas estão investindo em soluções tecnológicas que tornem a verificação de identidade mais rápida e segura. O tempo médio de verificação, que era de 32 segundos em 2023, caiu para 25 segundos em 2025.
Entre os avanços implementados, estão métodos que eliminam a necessidade de envio de documentos físicos, reduzindo pela metade o tempo de processamento; modelos de identidade digital reutilizável, que simplificam o cadastro para usuários recorrentes; e soluções portáteis de verificação, capazes de operar em diversas plataformas e com taxas de aprovação 30% superiores às anteriores.
A agilidade no combate às fraudes e o poder de adaptação às exigências legais se tornaram fatores decisivos para o sucesso das operadoras. Em um cenário onde os golpes se sofisticam e as regras se tornam mais rígidas, a capacidade de resposta rápida é cada vez mais valorizada. As novas ferramentas digitais têm representado uma vantagem competitiva importante, não só para barrar tentativas de cibercrime, mas também para facilitar a entrada de clientes legítimos e fortalecer a confiança no setor.






