Quando assinou a venda dos direitos de nome de seu estádio para a Hypera Pharma, responsável pela marca Neo Química, o Corinthians celebrou o acordo como uma conquista histórica.
O contrato fechado em 2020, válido até 2040, previa pagamento anual de R$ 15 milhões corrigidos pelo IGP-M, o que hoje equivale a cerca de R$ 21 milhões. O que antes era visto como um passo decisivo para fortalecer as finanças do clube agora é analisado de forma crítica, já que a diretoria entende que o potencial comercial da arena está bem acima do valor atual e pode render mais do que o triplo.
Na visão do presidente Osmar Stabile, o ideal seria alcançar um novo compromisso em torno de R$ 75 milhões por temporada com validade de 12 anos, embora haja margem para ajustes tanto no prazo quanto na quantia. Essa expectativa não surge apenas de uma avaliação interna do mercado, mas também das primeiras conversas com empresas interessadas.
“Tem três empresas interessadas. Eu acredito que deve chegar mais uma empresa. Estamos trabalhando para trazer valor muito maior do que este (atual). Valor é baixo. Foi bom lá atrás? Foi. Imprensa, torcedores, associados e conselheiros elogiaram. Mas passou. O valor está baixo. Vamos trabalhar”, disse Stabile, após ser eleito, no dia 25 de agosto.
Entenda a mudança de preço
O momento em que o Timão fechou a venda do nome da Neo Química Arena foi marcado por forte instabilidade econômica. O impacto da pandemia de Covid-19 reduziu o apetite de investidores e fez com que os jogos fossem realizados sem torcida, o que limitava a possibilidade de ações de ativação dentro do estádio. Além disso, o cenário global era de alta imprevisibilidade, o que restringia novos aportes em marketing.
Desde então, o ambiente para esse tipo de negociação passou por transformações significativas. O setor de naming rights amadureceu e outros estádios brasileiros já fecharam acordos relevantes, o valor dos patrocínios principais em camisas de clubes se elevou e a regulamentação das apostas esportivas trouxe um fluxo robusto de investimentos em publicidade para o futebol.
Renê Salviano, CEO da agência Heatmap e especialista em patrocínios e ativações, observa essa mudança de cenário e enfatiza a oportunidade de os estádios proporcionarem experiências e aproximação com os fãs.
“A valoração da propriedade de naming rights mudou muito ao longo dos últimos 10 anos, catapultada pelo segmento de apostas. Com certeza uma negociação neste momento pode ser mais vantajosa para o Corinthians, quando se trata do tema financeiro. As arenas são grandes oportunidades para se criar experiências e conexão com os torcedores, as marcas podem utilizar de diversas formas, não importa o segmento”, declarou.
A diretoria alvinegra considera ampliar o escopo da negociação, oferecendo não apenas o nome da arena, mas também outras propriedades ligadas ao clube. Entre elas estão a inclusão do patrocínio na camisa, além da possibilidade de renomear espaços como o centro de treinamentos e a Fazendinha, estádio do Parque São Jorge.
Pouco depois de fechar o acordo de naming rights, o time paulista firmou também com a Hypera Pharma o patrocínio máster de R$ 17 milhões fixos anuais, além de ganhos variáveis. Atualmente, a principal fonte de patrocínio vem da Esportes da Sorte, que rende aproximadamente R$ 103 milhões por temporada.
O valor da rescisão
A partir de setembro, a multa rescisória prevista no contrato com a Hypera Pharma será reduzida para R$ 50 milhões, o que torna uma possível saída mais viável na avaliação da agremiação. No cenário traçado como o mais positivo pela diretoria, um novo acordo de naming rights não apenas permitiria quitar o saldo de cerca de R$ 670 milhões referente ao financiamento da arena como também garantiria uma receita adicional.
“Isso (renegociação) deve acontecer, não vou falar o período, mas deve acontecer. Não quero deixar promessa. É um trabalho que está sendo realizado, como aconteceram outros. Pode ter certeza de que em breve a gente informa de que forma está andando. Se tiver mais outras empresas, acontecerá com envelope fechado. É uma forma de dar tranquilidade para quem participa. Quem der mais leva, desde que atenda os requisitos do Corinthians”, concluiu Osmar Stabile.





