A proposta do BTG Pactual para a transformação do Fluminense em Sociedade Anônima do Futebol avançou após receber sinal verde da diretoria tricolor.
A decisão agora será submetida aos sócios em assembleia marcada para setembro, quando os associados terão a palavra final sobre o projeto, e já está definido que o presidente do clube, Mário Bittencourt, com mandato válido até o fim de 2025, assumirá a função de CEO da futura SAF, acumulando a gestão da transição, conforme informou O Globo e o Portal Tela.
O modelo apresentado pelo banco prevê a formação de um fundo composto por diversos cotistas, entre os quais figura o próprio André Esteves. Caso todos os associados com mensalidade em dia participem da votação, cerca de 59 mil pessoas estariam aptas a decidir, mas o histórico recente mostra baixa adesão, já que na última eleição apenas 3,7 mil compareceram.
Para reduzir riscos de ruídos e evitar falhas de comunicação que marcaram experiências recentes de outros times, como Vasco e Botafogo, o Tricolor das Laranjeiras contratou uma consultoria especializada em gestão de imagem. A ideia é lançar em setembro uma campanha voltada aos sócios, detalhando pontos do contrato e esclarecendo dúvidas de forma transparente, buscando engajamento e confiança durante o processo.
Com o fim da atual gestão previsto para dezembro, Bittencourt terá papel decisivo na consolidação desse movimento. O acordo com o BTG sinaliza um novo momento para o Fluminense, com foco em modernização administrativa e abertura a investimentos que sustentem o crescimento da equipe nos próximos anos.
A proposta
O projeto do Fluminense propõe um modelo coletivo. A ideia é formar um fundo de investimento com até 20 cotistas, todos torcedores do clube, para diluir o risco e a exposição pública, especialmente em momentos de instabilidade esportiva.
A proposta prevê que esse fundo adquira 60% das ações da futura SAF por R$ 500 milhões. O pagamento seria feito em três parcelas: R$ 270 milhões em 2025, R$ 150 milhões em 2026 e R$ 80 milhões em 2027.
Do montante total, R$ 250 milhões seriam aportados por dois investidores líderes do fundo, enquanto os 18 demais participantes se comprometeriam a investir ao menos R$ 10 milhões cada. A partir de 2028, o fundo teria a opção de ampliar sua participação para até 85%, com correção monetária aplicada.
Valor da SAF Fluminense
O desempenho na Copa do Mundo de Clubes também impactou a avaliação financeira do projeto. Antes do torneio, o clube havia sido estimado em R$ 850 milhões, mas a campanha que levou o time ao quarto lugar no Mundial 2025 fortaleceu a marca e pode elevar esse montante, enquanto o interesse do mercado já vinha em crescimento e a visibilidade obtida no torneio apenas acelerou o processo. O fundo liderado pelo BTG, presidido por André Esteves, torcedor do clube, deve definir os ajustes finais no valor da operação.
BTG e Fluminense: tratativas sobre estruturação da SAF
O debate em torno do formato começou em março, quando o Fluminense elaborou um plano em que previa a criação de um fundo com cotas pulverizadas entre diferentes investidores. À época, a diretoria afastou a possibilidade de definir valores ou bater o martelo sobre o modelo final, mas deixou em aberto a chance de uma negociação concentrada em um único comprador.
Ainda assim, ganhou força internamente a ideia de dividir a participação entre vários acionistas, evitando que o controle fique nas mãos de apenas uma empresa, como ocorreu em outras experiências do futebol brasileiro. Em apresentações a potenciais investidores, uma das condições fundamentais foi a manutenção de Mário Bittencourt como CEO, reforçando estabilidade durante a transição.





