Poucos dias depois de assumir a presidência da Confederação Brasileira de Futebol, no fim de maio, Samir Xaud se encontrou de maneira emergencial com representantes da Nike para tratar de um ponto que considerava urgente: impedir a continuidade da produção de uma camisa vermelha para a Seleção. A decisão foi tomada logo no início de sua gestão, no fim de maio, quando ainda ajustava os primeiros passos à frente da entidade.
Naquele momento, a fornecedora de material esportivo já havia iniciado a confecção de uniformes na cor vermelha com detalhes em preto, pensados para substituir o tradicional azul como segunda opção da equipe na Copa do Mundo de 2026. O projeto tinha sido autorizado por Ednaldo Rodrigues, então presidente da CBF, mas com a troca de comando Samir optou por preservar as cores históricas da Seleção.
“Foi um assunto delicado. Vou fazer até um parêntese. Muita gente levou para o lado político. Eu levei para o lado do Brasil, das cores da bandeira do Brasil. Azul, amarelo, verde e branco são cores das nossas bandeiras e são as cores que têm que ser seguidas. Eu fui contra a camisa vermelha, não por questão política. Realmente estava em produção. Fiz uma reunião urgente com a Nike, pedi que parasse a produção”, revelou o atual presidente da CBF.
Segundo Xaud, ele chegou a analisar o modelo proposto em vermelho e deixou claro que não aprovava a ideia. A Nike, após o encontro, concordou em interromper a fabricação e passou a desenvolver um novo uniforme, mantendo o azul como a opção alternativa ao lado da camisa amarela.
“A Nike entendeu o motivo. Começaram em seguida a produção da nova camisa. Posso falar que está muito bonita”, acrescentou.
Em meio a esse processo, o dirigente reforçou que deseja ver a camisa amarela desassociada de posicionamentos políticos, ressaltando que a cor deve representar apenas a Seleção e o futebol brasileiro.
“Essas discussões políticas não podem entrar em campo ou interferir na seleção brasileira. Antes dessa questão política, da camisa vermelha, todos vestiam amarelo. Temos que resgatar o torcedor pelo futebol, não pela política”, disse.
A divulgação do uniforme em vermelho já havia causado forte reação entre os torcedores meses antes, quando o modelo chegou a circular publicamente. As críticas foram intensas, alcançando índices de rejeição de 90%, com o design trazendo um tom de vermelho mais apagado, com listras pretas que lembravam manchas e ainda a marca do ex-jogador de basquete Michael Jordan estampada.
Com a chegada de Samir Xaud ao comando da CBF, o projeto foi descartado, restabelecendo o azul e o amarelo como as principais cores do Brasil na Copa do Mundo de 2026.






