O Conselho Deliberativo do Flamengo se reuniu na noite de segunda-feira (11) para tratar de estratégias que ampliam os ganhos com o Maracanã. Durante o encontro, o presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap), com mandato até 2027, apresentou dados e iniciativas que impulsionam a receita do estádio e apontou novos caminhos para ampliar o público, incluindo a retirada de assentos em dois setores das arquibancadas para abrir mais espaço aos torcedores.
Os números mostraram que a arrecadação com bilheteria no primeiro turno do Brasileirão chegou a R$ 22,4 milhões, quase R$ 4 milhões acima do valor obtido em toda a edição de 2024 do campeonato. O balanço apresentado indicou que o clube carioca obteve um crescimento de 61% nas receitas do Maracanã e ainda conseguiu reduzir as despesas em cerca de 6%.
O detalhamento do trabalho no estádio inclui mudanças na forma de comercializar ingressos, melhorias no estacionamento, renegociação de contratos com fornecedores que geraram cortes de 10% a 20% nos custos, substituição dos refletores e um novo acordo com a Light, que deve gerar mais economia. As vendas de camarotes ajudaram a ampliar a receita e o aumento do uso de biometria nas entradas, hoje presente em 93% do acesso ao estádio – exceção aos camarotes e as cadeiras cativas – trouxe mais controle de público e diminuição de gastos com operação.
Flamengo registra alta na receita e corte nas despesas do Maracanã
Comparando os dois últimos anos, o Flamengo teve em 2024 um lucro total de R$ 18,72 milhões, com média de R$ 1,04 milhão por jogo, enquanto a maior despesa chegou a R$ 2,1 milhões. Já em 2025, até aqui, o lucro acumulado é de R$ 22,43 milhões, com média de R$ 2,21 milhões e a maior despesa registrada foi de R$ 1,59 milhão. Um dos pontos abordados foi a queda expressiva no valor de aluguel do Maracanã, que caiu de R$ 350 mil para R$ 10 mil por jogo, medida que favoreceu a Fla-Flu Serviços SPE S.A., empresa que administra o estádio e da qual o Rubro-Negro detém 65% das ações.
Segundo a diretoria, o superávit operacional permite que Flamengo e Fluminense não paguem aluguel, o que ajuda a manter a saúde financeira do estádio sem aporte dos clubes, enquanto equipes de fora dessa gestão continuam pagando para atuar no local.
Estádio do Flamengo segue sem avanço um ano após compra do terreno do Gasômetro
O Gasômetro também entrou na pauta na reunião do Conselho Deliberativo. Um ano após a compra do terreno, o espaço ainda não recebeu obras, mas os estudos de viabilidade encomendados pelo clube devem ser apresentados em breve, visto que a diretoria acredita que a performance financeira do Maracanã contribuirá para viabilizar o futuro estádio.
Planos para aumentar ainda mais a receita incluem colocar mais torcedores em setores estratégicos, melhorar a acústica para intensificar o ambiente, instalar redes protetoras para liberar áreas adicionais aos rubro-negros e avaliar a cessão do Maracanãzinho a empresas do setor de entretenimento. Está previsto para outubro um show no Maracanã, organizado pelo Governo do Estado.
Pelo contrato de concessão, Flamengo e Fluminense devem investir R$ 390 milhões em melhorias no complexo, sendo R$ 190 milhões nos três primeiros anos e R$ 70 milhões voltados ao Maracanãzinho.
Bap também retomou o tema da venda dos naming rights do estádio, afirmando que já há companhias interessadas, mas que a negociação depende de aprovação do governo estadual. Outro projeto é a criação de um museu no Maracanã, utilizando parte do acervo da CBF como atração.






