Indústria

Proposta de candidato à presidente do Corinthians prevê até US$ 1 bilhão em investimentos no clube

Empresa apresentada como investidora atua em factoring e não possui registro como banco ou instituição financeira, conforme foi informado por André Castro

Foto: Reprodução/ ge

22 de agosto de 2025

4 minutos de Leitura

O conselheiro do Corinthians, André Castro, candidato à presidência do clube, afirmou nesta semana que tem em mãos uma proposta de investimento que pode chegar a US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,5 bilhões) para o time paulista. A iniciativa, segundo ele, partiria do GSP (Banco de Fomento Mercantil Ltda) e foi apresentada durante entrevista em São Paulo, quando exibiu documento assinado por Carlos César Arruda, presidente da holding que controla o GSP Bank of Assets e a GSP Gestão de Crédito.

Castro declarou que o valor seria direcionado a diferentes áreas do Timão, incluindo a reorganização financeira, obras de modernização na Neo Química Arena, melhorias no clube social, fortalecimento das categorias de base e contratações para o elenco principal. Não houve, porém, detalhamento sobre como os recursos seriam divididos ou o calendário previsto para a liberação do montante.

A eleição acontece em meio à crise política aberta com o impeachment do ex-presidente Augusto Melo. Na disputa, além de André Castro, estão Osmar Stabile, atual presidente interino, e Antonio Roque Citadini, que já foi vice-presidente da associação.

Castro, de 46 anos, integra o quadro social há quase 30 anos e disse que, mesmo sem vitória, pretende encaminhar a proposta para análise dos órgãos de fiscalização, destacando que eventuais novos contratos seriam construídos em respeito às parcerias já em vigor. Em nota, o GSP declarou interesse em uma parceria estratégica para impulsionar o Alvinegro, condicionando o aporte à eleição de Castro.

Empresa não é banco

Segundo o ge, apesar de ter sido apresentada como investidora, a GSP não possui registro como banco ou instituição financeira, ao contrário do que foi dito pelo candidato em entrevistas. Informações da Receita Federal indicam que a companhia, criada em dezembro de 2010 e sediada em Goiânia (GO), tem como principal atividade a chamada sociedade de fomento mercantil, conhecida no mercado como factoring.

O modelo de factoring funciona da seguinte forma: a empresa adquire créditos que uma companhia tem a receber no futuro e paga de forma antecipada, aplicando um desconto sobre o valor total. Isso garante capital imediato ao vendedor e transfere ao comprador o direito de receber os valores posteriormente.

Para ilustrar, uma loja com R$ 1 milhão a receber em vendas parceladas pode recorrer a esse tipo de operação, recebendo R$ 800 mil à vista, enquanto a factoring assume a cobrança dos R$ 1 milhão e fica com a diferença como ganho.

“Banco é uma coisa completamente diferente de factoring. Não tem absolutamente nada a ver uma coisa com a outra, dos pontos de vista legal, negocial e operacional. Elas operam de maneiras completamente distintas. Única semelhança que existe entre elas é que as duas empresas fornecem dinheiro a quem precisa”, afirmou ao ge o advogado Fabiano Jantalia, especialista em Direito Bancário e sócio do Jantalia Advogados.

Na prática, a distinção entre bancos e factorings é clara: enquanto as instituições bancárias utilizam recursos de clientes, as factorings trabalham com capital próprio. Por essa razão, não há regulação do Banco Central sobre esse tipo de empresa, e, em caso de problemas, o Código de Defesa do Consumidor é a legislação aplicável.

Esse mercado é mais comum entre pequenos e médios negócios, além de indústrias com dificuldade de acesso a crédito bancário. Já as grandes companhias costumam ter condições melhores junto a instituições financeiras tradicionais.

“É preciso entender melhor as relações que se dariam entre a empresa e o Corinthians para saber se estaríamos diante de um contrato de patrocínio ou de uma operação de compra de créditos do clube”, comentou o advogado Fabiano Jantalia.

“Eu nunca vi, neste mercado, uma empresa de factoring se propor a gastar um valor tão grande a título de patrocínio. Empresas de factoring não gastam em patrocínio, justamente porque o público delas não é o grande público. Eu não vou vender factoring para torcedor do Corinthians, do Flamengo ou do Grêmio. É para empresas”, concluiu ao ge o especialista em Direito Bancário e sócio do Jantalia Advogados.

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