Indústria

SAF do Botafogo vira centro de embate judicial entre Eagle Football e John Textor

Holding contesta ações do empresário norte-americano e tenta anular assembleia e decisões do Conselho de Administração

Foto: Thiago Ribeiro/ AGIF

05 de agosto de 2025

4 minutos de Leitura

A embate pelo comando da SAF do Botafogo ganhou novos capítulos com o avanço de uma ação judicial movida pela Eagle Football contra John Textor. A iniciativa foi levada à 2ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e marca o agravamento das tensões entre o grupo de acionistas da holding e o empresário norte-americano.

O processo sustenta que o gestor vem adotando decisões sem respaldo legal no clube carioca, com questionamentos que envolvem desde movimentações financeiras até interferências relacionadas ao Lyon, que também faz parte da rede de investimentos liderada por Textor, atualmente em negociação para adquirir o Sheffield e reestruturar o controle da SAF com a possível entrada do grego Evangelos Marinakis em nova empresa gestora.

O conflito se intensificou após movimentações que, segundo a Eagle, ocorreram à revelia da principal acionista, sendo que a principal delas teria sido a transferência de uma dívida de € 150 milhões da SAF para uma companhia controlada por Textor nas Ilhas Cayman, em condição de deságio, ou seja, abaixo do valor original. Essa operação faria parte de uma estratégia para viabilizar um novo aporte de € 100 milhões que, uma vez convertido em ações, reduziria significativamente a participação da holding na estrutura acionária.

A deterioração da relação se agravou após os desdobramentos financeiros no Lyon, o que levou a holding a retirar o empresário da gestão e indicar outro representante para a função. Embora ainda mantenha 65% da Eagle Football, Textor assinou um compromisso formal de afastamento do comando da empresa.

Na ação, a empresa solicita à Justiça a suspensão dos efeitos da assembleia realizada no mês passado, além das resoluções do Conselho de Administração. A Eagle também busca barrar a emissão de novas ações e qualquer tipo de contrato que envolva o Botafogo e empresas ou pessoas associadas a Textor, conforme revelado pela ESPN.

As tensões também impactam as negociações de atletas: um exemplo é a transferência do meia-atacante Savarino, cujos direitos econômicos foram repassados ao Lyon por €7,6 milhões (R$48 milhões), embora o jogador siga atuando pelo clube carioca. Outros nomes, como Luiz Henrique, Igor Jesus e Jair, também estavam na mira da equipe francesa, mas foram negociados com terceiros devido a restrições do Lyon para registrar novos jogadores, e, segundo informações do Glorioso, os recursos provenientes dessas vendas foram direcionados diretamente à operação financeira do time francês.

Por outro lado, a SAF do Botafogo sustenta que não houve tentativa de esvaziar a participação da holding. Afirma que todas as decisões seguiram os trâmites legais e buscavam assegurar recursos em cenários de inadimplência por parte da própria Eagle ou do Lyon, ambos ligados ao ecossistema comandado por Textor, acrescentando que, nessas situações, o sócio com maior fatia teria prioridade nos aportes de capital.

Essa instabilidade compromete o funcionamento da estrutura empresarial e pode afetar diretamente a organização interna do clube, visto que as medidas tomadas recentemente venham a ser invalidadas pela Justiça, o impacto financeiro pode ser relevante. Além disso, a indefinição sobre o controle da SAF também gera incerteza sobre a condução do futebol em meio à temporada.

Apesar da ruptura formal com a holding, John Textor permanece à frente da SAF alvinegra, com apoio do Conselho de Administração e respaldo em decisões judiciais. A Eagle ainda detém a maioria das ações da empresa, mas tenta na Justiça reverter as últimas decisões e reassumir o controle da operação.

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