O Ituano deu um passo importante em sua história ao aprovar, em assembleia extraordinária realizada na última terça-feira (19), a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A proposta recebeu 51 votos favoráveis e 23 contrários, em um encontro que contou com a presença de 74 dos 85 sócios ativos do clube.
A transformação prevê a divisão da agremiação em duas frentes: o clube-empresa, que passa a deter 60% dos direitos, e a associação esportiva, que mantém 40%. Essa aprovação só foi possível na segunda tentativa, já que a reunião anterior, em outubro de 2023, não alcançou o quórum mínimo exigido.
Com a mudança no modelo de gestão, advogados da associação esportiva e da administração atual, comandada por Paulo Silvestri e Juninho Paulista desde 2009, iniciarão a redação do estatuto da SAF. Os Conselhos Fiscal e Deliberativo seguirão atuando na fiscalização e acompanhamento da aplicação de receitas e lucros.
Embora parte dos 60% da SAF possa futuramente ser negociada com novos investidores, uma cláusula de proteção impede a transferência total do controle para terceiros, garantindo que a gestão permaneça sob responsabilidade de Silvestri ou Juninho. Além disso, foi estabelecido que a associação nunca terá menos de 30% do capital votante.
O novo modelo não abrange o patrimônio físico, já que a sede social continua pertencendo ao clube e o estádio Novelli Júnior permanece como propriedade da Prefeitura de Itu.
Juninho Paulista, ídolo revelado pelo Ituano na década de 1990 e com carreira de destaque no Brasil e no exterior, seguirá como uma das figuras centrais da gestão. Agora, sob a Dimache Participações Esportivas Ltda., será criado o CNPJ do Ituano Futebol Clube Sociedade Anônima do Futebol, que assume a posição de sócio-majoritário.
A proposta aprovada também incorporou mudanças sugeridas pelos sócios, incluindo a garantia de contrapartida financeira à associação, cláusula que assegura no mínimo 30% de participação com direito a voto, liberação para a associação disputar modalidades esportivas (exceto futebol de campo), obrigatoriedade de reinvestimento de 25% dos lucros, uso das estruturas do clube mediante aluguel ou cessão onerosa e a ampliação da participação da associação no conselho, com direito a veto em pautas estratégicas.
Com essas alterações, o Ituano inicia uma nova fase administrativa, preservando a influência da associação e de seus sócios, mas abrindo caminho para ampliar investimentos e buscar maior competitividade no cenário do futebol nacional.




