A relação entre John Textor e Evangelos Marinakis deixou de ser apenas uma amizade para ganhar contornos de sociedade. Em meio às movimentações que envolvem a recompra das ações do Botafogo, o empresário americano conta com o apoio financeiro do magnata grego, movimento que pode ser apenas o primeiro passo de uma aliança mais duradoura entre os dois e cuja intenção é que a colaboração vá além do aporte pontual e se transforme numa parceria estratégica de longo prazo.
A separação entre o time brasileiro e a Eagle Football Holdings é o foco imediato do Textor, e o suporte de Marinakis será determinante nesse processo, mas os planos vão além da solução do impasse jurídico, visto que os dois empresários já iniciaram conversas para integrar o clube carioca à rede de equipes controlada pelo grego, que hoje comanda Nottingham Forest, o Olympiacos e o Rio Ave. O objetivo é tornar o Glorioso parte desse ecossistema internacional de clubes.
Em encontros recentes, os dois discutiram alternativas para viabilizar a operação conjunta. Caso consiga viabilizar a saída da Eagle, Textor pretende constituir uma nova empresa nas Ilhas Cayman, estrutura que ficaria responsável pela gestão do Botafogo, sendo ele o sócio majoritário da nova companhia, com Marinakis entrando como parceiro minoritário.
Essa nova holding também poderia abrigar o RWDM Brussels, antigo Molenbeek, outro clube atualmente vinculado à Eagle. O americano está em disputa com os demais sócios da holding, incluindo o fundo Ares Management, que financiou a compra do Lyon em 2022 e ainda aguarda o pagamento da dívida, oriunda de um empréstimo feito com intermediação da empresária Michele Kang e que teve como garantia as ações do Botafogo e do time belga.
Para avaliar os ativos da equipe brasileira, o Ares contratou um escritório de advocacia no Brasil, com os profissionais da firma passando os últimos dois dias na sede do Fogão, onde observaram rotinas e acessaram documentos financeiros em um ambiente descrito como cooperativo, reflexo do interesse de Textor em chegar a um entendimento rápido. Ele já formalizou uma proposta para recuperar as ações, enquanto o fundo se prepara para apresentar uma contraproposta com a expectativa de que as partes encontrem um caminho viável para encerrar o impasse.
Mais adiante, se a reestruturação for concluída, os papéis podem se inverter, com a nova empresa passando a ser majoritariamente controlada por Marinakis, mas com Textor mantendo papel ativo na gestão do Botafogo. O grego tem boa impressão do trabalho feito pelo americano na agremiação e deseja que ele siga à frente das decisões do dia a dia, porém a negociação entre eles segue aberta, sem cronograma definido, podendo ganhar velocidade assim que o Alvinegro estiver fora da órbita da Eagle.
Dívida bilionária acirra disputa na holding
A disputa entre Textor e o fundo Ares envolve uma dívida que, com os juros acumulados, já se aproxima de US$ 500 milhões (R$ 2,8 bilhões), sendo que em troca do investimento feito na época da aquisição do Lyon, a Eagle cedeu 40% de participação e ofereceu garantias que incluem o Alvinegro. Hoje, a empresa acredita que o americano não tem condições de quitar esse valor e por isso busca tirá-lo do controle de todos os clubes da holding.
Enquanto esse cenário se desenrola, Textor segue empenhado em recomprar as ações e transferir o Botafogo para a nova estrutura nas Ilhas Cayman, o que protegeria a instituição das disputas internas na Eagle. Nesse contexto, Marinakis assume papel relevante ao somar à relação antiga com Textor o interesse em se estabelecer no futebol brasileiro, tendo negociado com o Vasco no ano passado e assinado um memorando com o São Paulo para investir nas categorias de base.
Ao assumir o papel de financiador na recompra, o bilionário grego se posiciona como novo credor de Textor. O americano, que ainda é formalmente o dono da Eagle Football Holdings, já não participa das decisões principais da empresa, mas confia que poderá retomar o controle do Botafogo com apoio do aliado.






