Indústria

Vice-presidente da CBF cobra urgência por regras de fair play financeiro no futebol nacional

O modelo está em debate e pode entrar em vigor já na temporada 2026

Foto: Rodrigo Ferreira/CBF

05 de agosto de 2025

3 minutos de Leitura

Durante o Fórum Sustentabilidade em Campo, realizado nesta segunda-feira (4) em São Paulo, Ricardo Gluck Paul defendeu que Fair Play Financeiro é hoje uma prioridade urgente no futebol brasileiro. Representando a CBF na condição de vice-presidente, o dirigente comparou a situação atual a um navio fora de controle.

“Em 2019 se falava em fair play financeiro, um plano de contenção de gastos, porque já se enxergava para onde o futebol brasileiro estava indo. Nada foi feito. É como se, naquela época, a gente visse o Titanic na direção do iceberg e tivesse como desviar… O navio bateu no iceberg e está afundando”, afirmou.

Gluck Paul também preside a federação paraense de futebol e lidera a comissão formada para estruturar uma proposta de regulamentação financeira para os clubes. A equipe inclui representantes de federações estaduais e de times das Séries A e B, com a expectativa de que o modelo possa ser colocado em prática a partir de 2026.

“Tem quem escolhe tocar música e esperar o navio afundar, e quem joga a boia para ajudar os outros. Estamos no caos. A CBF escolheu jogar a boia”, acrescentou Paul, ao reforçar que a entidade decidiu agir diante do cenário que considera insustentável.

A proposta começa a ser debatida oficialmente na próxima semana, com a realização de um primeiro encontro no Rio de Janeiro. O grupo de trabalho reúne 33 clubes – os 20 que disputam atualmente a Série A e outros 13 da Série B – além de dez federações estaduais, com a missão de construir as bases do sistema de controle financeiro.

A ideia é que o grupo tenha um prazo de 90 dias para concluir um relatório com as diretrizes iniciais. A partir disso, caberá à presidência da CBF definir os próximos passos para viabilizar a aplicação do modelo, que poderá ser implantado em fases, começando de forma mais branda até alcançar um estágio mais estruturado, para dar tempo de adaptação ao mercado nacional.

Fair play financeiro no Brasil

A criação oficial do grupo de trabalho foi anunciada no fim de julho, visto que a medida visa reduzir os desequilíbrios financeiros entre clubes e promover maior controle de gastos e governança, no entanto, a discussão acontece em meio a divergências entre os próprios dirigentes.

Em entrevista no meio de julho, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, se posicionou contra a ideia de uma divisão igualitária de receitas, tema presente no memorando de entendimento discutido entre os representantes da Libra e da Liga Forte União. Segundo Bap, os termos colocados trariam perdas financeiras ao clube carioca, motivo pelo qual optou por não assinar o acordo.

A declaração gerou resposta de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, que afirmou que o futebol nacional precisa ser tratado de forma coletiva, acima dos interesses individuais de cada agremiação.

Modelo internacional

Fora do Brasil, a lógica da distribuição de receitas é diferente. Na Premier League 2023/24, por exemplo, o campeão recebeu apenas 1,6 vezes mais do que o último colocado da tabela: £ 175,9 milhões contra £ 109,7 milhões.

Em ligas norte-americanas como NFL e NBA, o modelo é igualitário. Na última temporada, a liga de futebol americano repassou US$ 432,6 milhões por franquia – o dobro da receita total do Flamengo em 2024, estimada em pouco mais de R$ 1,28 bilhão.

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