A reunião do Conselho Deliberativo do Flamengo, realizada nesta quarta-feira (18), teve como foco o futuro estádio do Rubro-Negro no terreno do Gasômetro, com projeções atualizadas sobre prazos e custos. A diretoria apresentou aos conselheiros que a obra só deve ser entregue a partir de 2034, podendo se estender até 2036 caso ocorram fatores externos que atrasem o cronograma.
A avaliação é de que a estimativa inicial feita pela antiga gestão não contemplava todas as variáveis de preço e etapas necessárias. Após revisão da FGV, o valor total de implantação do projeto, considerando inflação, contingências, insumos e custo de capital, chegou a R$ 3,1 bilhões, bem acima dos R$ 1,9 bilhão previstos anteriormente.
Participaram da exposição, o presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, além de representantes da RRA Consultoria e da FGV Conhecimento, que detalharam estudos técnicos envolvendo sondagem do solo, análise arbórea, levantamento topográfico, preservação do patrimônio histórico e descontaminação da área.
Segundo o time da Gávea, as pesquisas feitas ao longo desse período tiveram o objetivo de criar um modelo viável, corrigindo distorções herdadas do planejamento inicial, como subavaliação de custos, prazos pouco realistas, expectativas infladas de receita e um formato de financiamento sem sustentação.
Os pontos abordados na apresentação
No encontro foram apresentados dados sobre a concepção do estádio, que está projetado para receber 72 mil pessoas, com menor participação de assentos premium em relação ao estudo anterior. O orçamento atualizado considera cerca de R$ 2,2 bilhões, incluindo a arena, despesas com o entorno, aquisição do terreno, contingências e custo de capital, com a previsão mínima de entrega passando para julho de 2036, com dependência direta de trâmites externos.
Para viabilizar financeiramente o empreendimento, a estratégia será baseada em recursos próprios da agremiação, com lastro em crescimento de receitas recorrentes e rentabilidade, de modo a não comprometer o desempenho esportivo.
Outro ponto tratado na análise foi a revisão das projeções de arrecadação, com o plano anterior prevendo uma média de ingresso de R$ 195,44, mais que o dobro do valor praticado atualmente, além de 30% dos lugares serem destinados ao setor VIP ou Premium, o dobro do percentual em vigor no Maracanã. Também houve ajuste na estimativa relacionada às Cepacs, que inicialmente estavam calculadas em R$ 552 milhões, mas após reavaliação foram reduzidas para R$ 194 milhões.
O debate sobre prazos trouxe mais divergências em relação ao que havia sido divulgado, já que a gestão anterior falava em inauguração em 2029, mas os dirigentes atuais argumentam que esse calendário desconsiderava etapas indispensáveis, como a realocação da Naturgy, responsável por uma subestação de gás que ocupa 55% do terreno.
A empresa informou ao Flamengo, em setembro, que o processo de mudança para novo endereço, a ser definido pela Prefeitura, demandará quatro anos, quando o planejamento inicial apontava apenas cinco meses.
“Na prática, isso significa que a obra não poderia começar em menos de seis a sete anos, aos quais se somariam outros três anos de construção — projetando a entrega do estádio a partir de 2034, o que torna o prazo de inauguração em dezembro 2029 previsto pela gestão anterior completamente irreal. A fim de viabilizar o estádio, os especialistas da FGV e Arena apresentaram proposta de novo projeto, baseado em premissas mais realistas e com perfil mais popular e identificado ao Flamengo”, informou o clube.
De curto prazo, o Rubro-Negro foca na negociação com a Prefeitura para o remanejamento da Naturgy, além da demolição e limpeza da área sob sua responsabilidade, do acompanhamento legislativo das Cepacs e da assinatura do termo definitivo com AGU, Caixa e Prefeitura. No médio e longo prazo, a prioridade passa a ser a elaboração do projeto executivo que norteará a construção da arena.





