O Governo Federal, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), anunciou nesta semana um acordo de cooperação com o Conselho Digital do Brasil, entidade que reúne representantes das principais empresas de tecnologia. A medida tem como foco reduzir a atuação de sites de apostas esportivas não regulamentados, derrubando links e anúncios em redes sociais e mecanismos de busca, considerados os principais canais de acesso às plataformas ilegais.
Essa iniciativa se soma a outras ações já em andamento. Em agosto, a SPA informou que 15.463 páginas de apostas online foram bloqueadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) desde outubro de 2024, como parte do monitoramento e controle do setor.
Outra frente tem sido o rastreamento de bancos e fintechs que oferecem serviços a sites não autorizados, buscando cortar o fluxo financeiro dessas operações. Segundo a secretaria, é por meio dessas contas de prestadores que circula parte relevante dos recursos ligados às bets ilegais.
Atualmente, o Brasil conta com 182 empresas autorizadas a operar. Dados do Ministério da Fazenda mostram que 17,7 milhões de brasileiros já apostaram em plataformas regulamentadas, sendo 71% homens e 28,9% mulheres.
Especialistas do setor avaliam que, além da retirada de páginas e da atuação contra provedores financeiros, o controle pelo sistema bancário pode se tornar uma das estratégias mais eficazes para limitar o mercado ilegal.
Um estudo realizado pela LCA Consultores em parceria com o Instituto Locomotiva e apoiado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entre abril e maio deste ano, estima que o país ainda perca R$ 10,8 bilhões por ano com a falta de controle sobre as plataformas não regulamentadas. A pesquisa também aponta que 61% dos entrevistados admitiram ter apostado em sites irregulares em 2025, muitas vezes sem clareza sobre os riscos.
O levantamento mostra ainda que 78% dos apostadores têm dificuldade em identificar quais sites são legais, enquanto 72% dizem não conseguir verificar a regularidade das plataformas. Além disso, 73% afirmaram já ter utilizado pelo menos uma plataforma irregular mapeada neste ano.






