Streaming

João Palomino destaca o papel do digital na expansão das comunidades esportivas olímpicas

CEO da LiveSports vê o crescimento do digital como motor para a popularização do esporte olímpico e revela convite para retornar à narração

29 de setembro de 2025

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Em um cenário onde o esporte e o digital se cruzam de forma cada vez mais estratégica, a presença de projetos inovadores no ambiente olímpico reforça a transformação no modo como o público consome e interage com o conteúdo esportivo.

Criada em 2020 por João Palomino, a LiveSports se tornou parceira oficial do Comitê Olímpico do Brasil e é responsável pelas transmissões no canal do Time Brasil no YouTube, além de atuar com outras entidades esportivas.

Essa conexão foi tema de sua participação na COB Expo, a maior feira de esportes olímpicos da América Latina, realizada de quinta (25) a domingo (28), onde o executivo esteve como palestrante em um dos painéis do evento.

No painel “A influência dos streamings no comportamento do fã de esporte: como o consumo on-demand está mudando os hábitos”, Palomino ressaltou que os jovens buscam assistir o que querem, quando querem, e que essa lógica abriu espaço para novos formatos de transmissão.

“O streaming democratizou o acesso e ampliou comunidades esportivas que antes ficavam restritas a pacotes de TV paga. Hoje há abundância de conteúdo, mas o desafio é entregar qualidade”, afirmou em entrevista ao MKTEsportivo.

Essa lógica conecta diretamente com a atuação da LiveSports, que se tornou parceira oficial do COB. Segundo João, muitas federações precisaram encontrar caminhos próprios para manter o contato com seus públicos, especialmente depois que emissoras tradicionais deixaram de adquirir alguns direitos.

Nesse contexto, o canal do Time Brasil no YouTube passou a oferecer transmissões de diferentes modalidades, com padrão profissional e linguagem adaptada às comunidades esportivas.

Palomino destacou ainda que o mercado brasileiro vive um momento de reestruturação, marcado pela ascensão de plataformas como CazéTV e, recentemente, a GeTV. Para ele, esses canais digitais representam um movimento de consolidação do streaming no Brasil, mostrando que a força dessas plataformas está na capacidade de montar equipes qualificadas e criar narrativas que dialogam diretamente com fãs, sem a linearidade da televisão.

As transformações do setor também abrem espaço para novas estratégias, com Palomino citando a visibilidade conquistada por atletas brasileiros, ampliando a base de seguidores e ajudando a atrair novos públicos.

“Hoje nós temos um contrato com o COB, produzimos para o Time Brasil e fazemos parte da visão ambiciosa de crescimento de seguidores e assinantes do canal. Existem práticas no mercado para atrair cada vez mais gente de um esporte específico a se interessar por outro, ampliando essa comunidade. E isso será muito possível, porque por intermédio dos atletas conseguimos um engajamento cada vez maior nas redes sociais de cada um”, explicou o CEO da LiveSports.

Comunidades que conectam: fortalecendo o esporte olímpico além do futebol

A trajetória de Palomino contribui para essa visão de futuro. Depois de quase três décadas na ESPN, onde foi narrador, apresentador e vice-presidente de Conteúdo e Produção, ele acompanhou de perto seis Jogos Olímpicos e cinco Copas do Mundo. Sua experiência o levou a apostar no streaming como meio de aproximar esportes de nicho de suas comunidades, ampliando o alcance do movimento olímpico.

“Nós já fazíamos experiências na ESPN dando mais atenção ao streaming, porque sabíamos que certos esportes não teriam público na TV, mas encontrariam interesse em suas comunidades. Acredito muito nisso: o remo vai se reunir para assistir o remo, a bike para assistir a bike, e uma pode gerar interesse na outra, criando uma massa maior para o esporte olímpico. Vivemos a monocultura do futebol e precisamos quebrar essa bolha, porque há um fortalecimento do esporte olímpico no Brasil que deve ser acompanhado de perto”, declarou.

O executivo concluiu a conversa falando sobre os próximos passos de sua carreira e disse que pretende seguir investindo no crescimento da LiveSports, mas deixou em aberto a possibilidade de voltar a narrar.

“LiveSport é uma empresa que a tendência dela é crescer sempre nesse modelo de conseguir dar visibilidade, dar notoriedade, dar uma renda extra a partir dos patrocínios para as federações e confederações, mas ainda no sistema de terceirização, nós não vamos nos aventurar em nos tornar um canal, porque você precisa de um investimento absurdo hoje por conta dos direitos para entrar nessa briga”, disse.

Mesmo com convites para voltar à narração, o executivo deixou claro que qualquer movimento será avaliado com cautela, tanto por sua atuação à frente da LiveSports quanto pelo momento atual do mercado.

“Para entrar fazendo algo só para você dizer que tem, não é algo que vai nos atrair. Então, eu pessoalmente vou continuar ajudando no crescimento da LiveSport e particularmente como profissional, como narrador, tenho recebido uma série de convites eventuais, o que é muito legal. Basicamente é voltar a narrar, tive um convite e a gente está analisando, conversando. Quem sabe?”, finalizou.

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