Indústria

Lula assina projeto de lei para fortalecer o futebol feminino no Brasil

Universidade do Esporte e Copa do Mundo 2027 estão entre os projetos do governo

Fotos: Ricardo Stuckert / PR

11 de setembro de 2025

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O Palácio do Planalto recebeu nesta semana as jogadoras da Seleção Brasileira Feminina, campeãs da Copa América 2025. Durante a cerimônia, Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a conquista e aproveitou para assinar e anunciar que enviará ao Congresso Nacional, nesta sexta-feira (12), um Projeto de Lei com foco em tornar o desenvolvimento do futebol feminino uma política pública.

“Esse projeto de lei vai garantir às organizações esportivas formadas de futebol feminino os mesmos direitos e benefícios conferidos às de futebol masculino, inclusive os recursos financeiros. Vai incentivar o futebol feminino de base e parcerias entre escolas, universidades e clubes de futebol para capacitação de talentos no futebol feminino. Além de combater a discriminação, a intolerância e a violência contra mulheres nas práticas relacionadas ao futebol”, afirmou Lula.

Segundo o governo, a proposta se soma a iniciativas já existentes, como o Bolsa Atleta, com a ideia de abrir caminhos para que as mulheres tenham mais oportunidades no esporte

“Fico orgulhoso com as conquistas das mulheres no mundo. As mulheres, aos poucos, vão ocupando espaços no mundo político, no mundo intelectual, no mundo acadêmico, no mundo cultural e no mundo esportivo”, acrescentou o presidente.

Além do projeto de lei, Lula mencionou o plano de criação de uma Universidade do Esporte, vinculada ao sistema federal, para reunir diferentes práticas e formar especialistas em diversas modalidades. Ele também reforçou o desejo de que as jogadoras sigam conquistando resultados expressivos, citando a possibilidade de repetir o sucesso da Copa América em competições como a Copa do Mundo.

Estiveram presentes na solenidade as atletas Amanda Gutierres, Andressa Karolaine, Cláudia Luana de Oliveira, Fátima Dutra e Fernanda Palermo, além do ministro do Esporte, André Fufuca, o técnico da Seleção Feminina, Arthur Elias, e o presidente da CBF, Samir Xaud.

Direitos garantidos durante e após a gestação

O ministro ressaltou que a proposta apresentada ao Congresso busca ampliar a proteção das jogadoras, oferecendo mais segurança jurídica e profissional, destacou que o texto contempla direitos importantes em diferentes fases da carreira, incluindo o período de gestação e o retorno às atividades.

“Hoje, infelizmente, 80% das nossas atletas são amadoras, enquanto os times oficiais só aceitam que até quatro jogadoras possam ser amadores. Com esse projeto de lei, todos os times que estiverem na primeira, segunda, terceira e quarta divisões do futebol, só poderão ter quatro atletas amadores. Com isso, a gente vai aumentar o profissionalismo do futebol feminino… Com esse projeto de lei, será garantido o direito das atletas, tanto na gravidez, como também após a gravidez”, pontuou Fufuca.

O treinador Arthur Elias reforçou a relevância do projeto como forma de aproximar o futebol feminino do que já é praticado em outros países.

“Quando a gente vê um projeto de lei, que espero que vire lei, com esses pilares que o ministro Fufuca trouxe, para mim é sensacional. Porque aí sim há uma transformação. E a gente vai conseguir chegar mais próximo das condições que elas têm lá fora para se desenvolver”, declarou o treinador.

O encontro também teve a participação da goleira Cláudia Luana de Oliveira, que valorizou o momento vivido pela Amarelinha.

“É muito importante para a gente ter esse reconhecimento. É uma honra, sempre, vestir a camisa da Seleção. Ainda mais ganhar um título pela Seleção. Espero que a gente siga fazendo história, representando e orgulhando muito o nosso país”, disse.

Governo aposta no Mundial para impulsionar inclusão e equidade

O Brasil conquistou recentemente a Copa América, e agora a atenção se volta para a Copa do Mundo de 2027, que será sediada no país. O governo pretende usar o torneio como motor para ampliar o alcance do futebol feminino, estimular mudanças sociais e reforçar valores como equidade e inclusão, com a ideia de mostrar que as mulheres têm papel central no esporte e fora dele, consolidando uma mensagem de transformação cultural.

“Nós vamos sediar e fazer a melhor e maior Copa do Mundo Feminina de todos os tempos. E, para isso, nós precisamos do apoio do Governo Federal, de todos os estados, governadores e senadores. Queremos fazer história e consolidar o futebol feminino no Brasil”, enfatizou o presidente da CBF, Samir Xaud.

Por fim, a coordenadora técnica de Seleções Femininas da CBF, Cristiane Gambaré, também falou sobre a importância de ampliar o espaço das mulheres no esporte e agradeceu o reconhecimento recebido.

“É uma grande oportunidade para nós, mulheres, ter o respeito e esse reconhecimento. Quero agradecer imensamente e pedir realmente que esse apoio governamental continue para que a gente faça uma linda história dentro de casa”, declarou.

Marco ao futebol feminino

De acordo com o governo federal, a proposta legislativa deve ser entendida como um marco para o futebol feminino no Brasil, com a ideia de corrigir distorções históricas em relação ao masculino e, ao mesmo tempo, estruturar as bases de um crescimento duradouro e inclusivo.

A garantia de direitos relacionados à maternidade, a igualdade de condições de treino e o combate a diferentes formas de discriminação são apontados como pilares para transformar o esporte em um espaço de integração social e fortalecimento da presença feminina.

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