
Após assistir ao novo documentário sobre Shaquille O’Neal produzido pela Netflix, chamado “Grande Jogadas”, senti vontade de compartilhar um pouco da minha admiração por esse jogador que escreveu seu nome entre os maiores do basquete mundial.
Quando eu tinha uns 14 anos, tive a oportunidade de ver de perto um dos maiores atletas da história do esporte. Com 2,16m, o “homem de aço” veio ao Brasil em uma turnê organizada pela Reebok. Entre os clubes que visitou, o Esporte Clube Sírio foi, mais uma vez, privilegiado ao receber um jogador fenomenal em sua quadra. Para mim, foi ainda mais especial, já que pude ver meu pai e seus amigos — campeões mundiais de clubes em 1979 pelo Sírio — enfrentando o gigantesco norte-americano.
Essa turnê foi organizada em parceria com o Palmeiras (também patrocinado pela marca na época) e contou com a ajuda de Eduardo Agra, ex-atleta da seleção brasileira, campeão mundial pelo Sírio, com passagem pela NCAA e professor de inglês. Por isso, acabou sendo o intérprete oficial do Shaq no Brasil. Um detalhe curioso é que Shaq participava desses jogos de exibição ao lado da equipe juvenil do Palmeiras, enfrentando times de São Paulo. Quando se cansava, encerrava a partida da forma mais impactante possível: dava uma dunk e destruía a tabela. E o mais incrível (e imprudente) foi que eu e meus amigos corremos para catar os caquinhos de vidro da tabela recém destruída. Resultado: saímos com as mãos todas cortadas.
Outro episódio inesquecível mostra bem o perfil autêntico e irreverente do Shaq. Ao deixar o Sírio, ele olhou para a piscina e disse: “I wanna jump.” Ninguém sabia muito bem como reagir, afinal, como dizer não a um gigante de 2,16m? Acionaram o salva-vidas, esvaziaram a piscina, e Shaq subiu no trampolim de 5 metros. Quando pulou, parecia até que a altura era pouca diante do tamanho dele. Essa cena está gravada na minha memória até hoje.

Além de dominante em quadra, o carisma do multicampeão da NBA sempre foi um diferencial. Até hoje, ele se mantém ativo e relevante nas redes sociais. Para quem gosta de conhecer mais a fundo a vida de atletas, há uma série de filmes e documentários com Shaq que valem a pena: “Kazaam”, “Steel, Blue Chips”, “Uncle Drew”, “Shaq Attack”, além dos documentários The Magic Moment (30 for 30, da ESPN) e “SHAQ”. Todos revelam facetas desse ícone.
Na vida pessoal, ele não teve muita relação com o pai biológico, mas encontrou no padrasto uma figura paterna vital. Sua infância foi vivida em bases militares, reflexo da carreira do padrasto, e é curioso pensar que um filho de militar tenha se tornado tão extrovertido e irreverente. Ainda assim, sua disciplina e senso de responsabilidade sempre estiveram presentes.
Shaq também se destacou fora das quadras como um investidor de sucesso e empresário respeitado. O documentário da Netflix mostra, entre outros aspectos, a retomada da Reebok no mercado de basquete, um prato cheio para quem deseja entender os bastidores dessa indústria.
Shaq sempre foi atleta da marca e teve liberdade criativa para desenvolver os tênis que levavam seu nome. Outro destaque do documentário é Allen Iverson, um dos meus maiores ídolos. Genial em quadra, admirado por sua baixa estatura em relação aos adversários, mas ainda assim imparável. Em uma jogada ousada, a Reebok colocou Shaq como presidente da divisão de basquete e AI como vice-presidente, reforçando a ligação pessoal de ambos com a marca.
Se nas décadas de 80 e 90 a Reebok era referência para os basqueteiros, nas novas gerações quase desapareceu. A compra da marca pela Adidas contribuiu para esse apagamento, já que a linha de basquete foi praticamente congelada. Hoje, muitos jovens só sabem da importância da Reebok por vídeos antigos no YouTube ou conversas com pais e tios. O desafio, agora, é recuperar esse espaço diante de gigantes como Nike, Adidas e até marcas chinesas em ascensão.
O documentário mostra ainda parte da estratégia da empresa nesse processo. Embora seja uma produção “comercial”, sem revelar fraquezas profundas, é possível perceber como buscam resgatar o DNA da marca e reconectar-se com as novas gerações. Como disse o CEO da Reebok: “O produto é rei.” Em esportes de alta performance, o atleta precisa sentir que o tênis faz diferença no rendimento. Marketing é essencial, mas tecnologia, inovação e design são o que realmente determinam o jogo.
Outro ponto interessante é o olhar sobre a prospecção de novos atletas. O carisma e o peso de Shaq e Iverson como líderes da divisão são fundamentais nesse convencimento.
E há ainda um lado mais íntimo: o relacionamento de Shaq com seu filho. Considerado um prospect promissor, o garoto precisou passar por uma cirurgia no coração, o que abalou profundamente a família. Pela primeira vez, Shaq se viu tomado pelo medo de perder um filho. A partir daí, passou a valorizar ainda mais a vida familiar, a ponto de preferir que o filho não seguisse a carreira no basquete.
Não quero revelar demais para não estragar a surpresa, mas recomendo fortemente que você se organize para assistir a este e a outros filmes com Shaquille O’Neal. Para quem ama basquete e acompanha o mercado esportivo, são produções que valem cada minuto e ajudam a entender não só a carreira de um ícone, mas também os bastidores do esporte:
- Blue Chips (uma visão da realidade do basquete universitário nos anos 90)
- Grande Jogada (acompanha a Reebok em sua tentativa de reconquistar o mercado do basquete)
- Shaq (série documental sobre sua infância, trajetória universitária e entrada na NBA)
Esses títulos não só entretêm, mas também inspiram, mostrando como talento, carisma e estratégia caminham juntos na trajetória de grandes atletas.





