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Premier League se aproxima de modelo da Super League e acende alerta na Europa

Modelo inglês se distancia do restante da Europa e se aproxima da lógica da extinta Super League

Foto: Getty Images

23 de setembro de 2025

4 minutos de Leitura

A Premier League segue dominando o futebol europeu, não apenas dentro de campo, mas principalmente fora dele. Com receitas bilionárias, os clubes ingleses têm investido valores muito superiores aos das demais ligas europeias, o que vem gerando críticas de dirigentes do continente, que apontam um desequilíbrio crescente no mercado.

Segundo o The Athletic, o modelo atual da liga inglesa está cada vez mais próximo do conceito da extinta Super League, especialmente pela concentração de poder financeiro e esportivo. A disparidade acentuada tem motivado reações de outras ligas, como La Liga, que acusa a Premier League de inflacionar o mercado e comprometer a sustentabilidade do futebol europeu.

Regras financeiras em discussão

Diante das pressões, a Premier League discute novas regras para conter os excessos. Uma das propostas prevê limitar os gastos dos clubes a 85% da receita anual, alinhando-se parcialmente às diretrizes da UEFA. A medida visa promover mais responsabilidade financeira sem comprometer a competitividade.

Outra proposta, mais polêmica, é o chamado “anchoring”, que limitaria os gastos de um clube a no máximo cinco vezes a receita do time com menor faturamento da liga. A ideia, porém, enfrenta resistência de gigantes como Manchester United, Manchester City e Aston Villa, que temem impactos negativos sobre os pagamentos de solidariedade e a capacidade de investimento dos clubes maiores.

A resposta da UEFA

Paralelamente, a UEFA também está reformulando seu sistema de Fair Play Financeiro. A partir da temporada 2025-26, o limite de gastos com salários, transferências e comissões será reduzido de 90% para 70% da receita anual dos clubes.

A entidade também propôs dobrar o limite de perdas permitidas em três anos, de €30 milhões (R$ 162 milhões) para €60 milhões (R$ 324 milhões), desde que essas perdas sejam cobertas por aportes dos proprietários. O objetivo é tornar o sistema mais flexível, mas ainda comprometido com a estabilidade financeira.

Efeitos no mercado de transferências

Caso essas medidas sejam implementadas com rigor, o mercado de transferências da Premier League deverá passar por mudanças significativas. Espera-se:

  • redução nos valores investidos em contratações
  • menor inflação nos preços de mercado
  • maior valorização das categorias de base e jovens talentos
  • crescimento de estratégias como empréstimos, trocas e contratações sustentáveis

Mesmo com regras mais restritivas, os clubes ingleses devem manter vantagem competitiva, graças às suas robustas receitas oriundas de direitos de transmissão e patrocínios globais.

Um abismo financeiro

Na janela de transferências do verão de 2025, os clubes da Premier League investiram impressionantes €807 milhões (R$ 4,36 bilhões), mais do que todas as outras cinco principais ligas europeias combinadas. Veja os números:

  • Premier League (Inglaterra): €807 milhões (R$ 4,36 bilhões)
  • Série A (Itália): €352 milhões (R$ 1,90 bilhão)
  • Bundesliga (Alemanha): €245 milhões (R$ 1,32 bilhão)
  • La Liga (Espanha): €190 milhões (R$ 1,03 bilhão)
  • Ligue 1 (França): €98 milhões (R$ 529 milhões)
  • Primeira Liga (Portugal): €57 milhões (R$ 308 milhões)

Nos últimos dez anos, a Premier League acumulou um déficit de transferências de €11,9 bilhões (R$ 64,26 bilhões), valor superior à soma dos déficits das cinco principais ligas concorrentes.

Super League disfarçada?

Embora rejeite formalmente o projeto da Super League, a Premier League compartilha várias características daquele modelo:

  • concentração de receitas (os clubes ingleses arrecadam muito mais, sobretudo com TV e mídia)
  • domínio esportivo (equipes inglesas têm sido protagonistas nas fases finais da Liga dos Campeões e da Liga Europa)
  • resistência a limitações (muitos clubes defendem liberdade para investir sem restrições rígidas)

Por outro lado, ainda há elementos que a afastam de uma Super League “real”:

  • sistema aberto (há promoções e rebaixamentos, garantindo mobilidade entre divisões)
  • integração com a UEFA (os clubes seguem disputando competições europeias baseadas em critérios esportivos)

Entre o poder e a responsabilidade

A Premier League vive um momento de supremacia inegável, mas enfrenta um desafio estratégico: equilibrar seu poder econômico com a responsabilidade de manter um futebol europeu financeiramente viável e competitivo.

As reformas propostas, tanto pela liga inglesa quanto pela UEFA, são passos importantes nessa direção. Resta saber se os interesses comerciais dos grandes clubes permitirão a adoção de regras que realmente limitem os abusos e preservem a integridade do esporte a longo prazo.

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