Indústria

Projeto de Fair Play financeiro no Brasil terá apresentação em novembro

Modelo toma como base experiências internacionais e prevê implementação gradual a partir de 2026

Foto: Staff Images / CBF

23 de setembro de 2025

3 minutos de Leitura

O desenvolvimento do modelo de Fair Play financeiro para o futebol brasileiro registrou novos avanços e já tem data para ser apresentado: a CBF planeja detalhar a proposta no dia 26 de novembro, durante o Summit CBF Academy, em São Paulo, etapa considerada decisiva no processo que busca equilibrar as contas dos clubes e dar maior transparência ao setor.

Até o momento, três encontros reuniram dirigentes da confederação, consultores independentes e representantes das equipes, sendo que um quarto está marcado para outubro, quando pontos finais da minuta deverão ser discutidos. A estrutura em análise toma como referência experiências já utilizadas em ligas internacionais, mas com ajustes para a realidade do futebol nacional.

Entre as definições já encaminhadas, está o formato de avaliação que será adotado, diferente do seguido pela Espanha, por exemplo, sendo que no caso brasileiro, a intenção é que a análise seja feita de forma posterior, avaliando as contas após a execução. Já o modelo espanhol tem caráter preventivo, com aprovação prévia de orçamentos e projeções financeiras antes de sua aplicação pelos times.

A reunião de outubro também contará com a participação das agremiações, que em sua maioria têm recebido bem a proposta. Algumas demandas sobre temas trabalhistas e tributários surgiram ao longo das discussões, mas como dependem de legislação, não farão parte do regulamento.

Após esse encontro, os clubes terão um prazo de 15 dias para sugerir ajustes antes da versão final ser submetida à CBF, no final do mês ou no início de novembro.

Quanto às punições previstas, a expectativa é de que sejam semelhantes às aplicadas em outros países, como a proibição de registrar novos jogadores em transferências (transfer ban), retirada de pontos em competições e aplicação de multas. A intenção é que o Fair Play Financeiro brasileiro comece a ser colocado em prática em janeiro de 2026, passando por um período de adaptação escalonada, até atingir funcionamento pleno em até cinco anos.

“Nós queremos criar um modelo de futebol autossustentável. Um futebol que você não tenha teto de receita, mas tenha teto de gastos. Você só vai gastar o que arrecada. Evitar um endividamento dos clubes, evitar que haja o “doping financeiro” de alguns clubes”, afirmou o presidente da CBF, Samir Xaud, ao ge em agosto.

“É o que eu sempre falo: um clube que está devendo, mas contratando jogadores de milhões, acaba prejudicando um clube menor que paga suas contas em dia, tem seus salários em dia. O que a gente quer evitar é esse desequilíbrio”, acrescentou.

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