Indústria

Quando o marketing esportivo entra no ringue

A cultura do fightainment, que mistura luta com entretenimento, já está consolidada lá fora e vem ganhando corpo no Brasil

Marcelo Mandia, CEO da Octagon Latam / Foto: Victor Vivacqua

26 de setembro de 2025

5 minutos de Leitura

Por Marcelo Mandia – CEO da Octagon Latam

As lutas sempre foram mais do que combates. Os encontros, marcados por rivalidades, estilos, símbolos e narrativas, acontecem desde que o mundo é mundo. E a gente sabe que o espetáculo que acontece dentro do ringue é parte da emoção que tanta gente espera.

O que vem antes — nos treinos, provocações, bastidores, encaradas — e o que vem depois — na repercussão, no atleta vitorioso, na nova narrativa de rivalidade — também prende a atenção. E talvez seja justamente por isso que o universo das lutas tenha se tornado, com o tempo, um território cada vez mais valioso para o marketing esportivo.

Se antes, boxe e MMA habitavam um espaço quase exclusivo dos fãs raiz, hoje ocupam o centro de arenas lotadas, transmissões ao vivo, plataformas de streaming e, por que não, ativações de marcas. A cultura do fightainment, que mistura luta com entretenimento, já está plenamente consolidada lá fora. E, nos últimos anos, vem ganhando corpo também por aqui.

O Brasil, aliás, tem um papel especial nessa história. Nomes como Anderson Silva, José Aldo, Vitor Belfort, Wanderlei Silva e Acelino Popó Freitas são protagonistas de eras distintas. Foram ídolos esportivos e ícones midiáticos. E nem sempre os que venceram campeonatos foram os que venceram narrativas. Tudo é parte daquilo que se extrai de uma boa história, aquilo que extrapola o esporte e entra no imaginário popular.

Quando foi anunciado que o Wanderlei Silva e o Vitor Belfort se reencontrariam no ringue para participar do Spaten Fight Night 2, 27 anos após o último confronto, os fãs de luta — e os brasileiros em geral, é claro —, foram à loucura. Os dois, que não se enfrentam desde 1998, devem adiar a revanche para 2026. E o público, mais uma vez, não perde por esperar!

Mas nada disso desanimou os fãs. Porque Popó, tetracampeão mundial de boxe, aceitou o desafio de lutar contra o “Cachorro Louco” Wanderlei Silva, um dos nomes mais emblemáticos da história do MMA. O confronto colocará frente a frente duas lendas brasileiras. E a oportunidade de marca é gigantesca.

Hoje, quando vemos lutas como essa acontecendo no Brasil com estrutura de espetáculo, enredo de blockbuster e engajamento massivo, é preciso olhar além do card principal. O que está em jogo não é só o cinturão, mas a forma como o esporte é consumido, e como ele se conecta com cultura, comportamento e marca.

A plataforma de luta da Spaten nasceu no ano passado com o objetivo ambicioso de ampliar o alcance das Artes Marciais no Brasil. E tem tido sucesso. A primeira edição, no ano passado, atingiu a melhor audiência da Tv Globo em lutas de boxe desde 2004. Um encontro de ídolos sempre atrai atenção. Agora, a cobertura aumentou, e a expectativa também.

Por trás de toda luta, existe disciplina, ancestralidade e história. Toda marca que quiser se aproximar desse universo precisa entender isso e promover sua conexão com a comunidade dentro e fora do ringue. É sobre unir talento, rivalidade e respeito com a tradição e os códigos das artes marciais.

Eu diria que há pelo menos três princípios essenciais para marcas que querem se conectar com propriedade a esse território:

Narrativa importa

O torcedor moderno é movido por histórias. Ele quer rivalidade, superação, provocação. A construção de um grande evento não termina com o último round. As marcas que entendem isso conseguem ocupar espaço na conversa e fazer parte da memória do fã por muitos anos.

A luta é um espetáculo — e é de verdade

Mesmo com elementos do entretenimento, o universo da luta exige autenticidade. O público sabe que há conexão real dentro do ringue e, por isso, o projeto deve respeitar a modalidade, valorizar seus ídolos e entender seu papel cultural.

Não se trata apenas de patrocinador, mas de ecossistema

Ativar não é apenas estampar logo. É pensar junto. Assim como faz a Spaten, que tem sido uma agente transformadora no universo das lutas no Brasil, com visão de longo prazo e construção estratégica. Contar com parceiros que conhecem o setor nesse processo faz toda a diferença.

Ver o Spaten Fight Night 2 tomando forma no Brasil é testemunhar uma transformação em curso. As lutas estão deixando de ser nicho para se tornarem cultura mainstream. E o marketing esportivo, se quiser acompanhar esse movimento, precisa abraçar o espetáculo.

Porque o ringue é palco. E cada luta é uma história esperando para ser contada e vivida.

*Marcelo Mandia é CEO da Octagon Latam, agência de marketing esportivo com mais de 15 anos de atuação no Brasil e parceira de longa data da Ambev. A agência está à frente do Spaten Fight Night pela primeira vez. Além de produzir e gerenciar o evento, cuida da concepção estratégica da plataforma de luta e da construção do ecossistema que dá vida ao projeto.

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