Reunido na Albânia, o comitê executivo da UEFA avaliou os pedidos feitos pelas federações da Espanha e da Itália para que partidas de seus campeonatos nacionais aconteçam fora da Europa. A proposta prevê Villarreal x Barcelona em Miami, no dia 20 de dezembro de 2025, e Milan x Como em Perth, no início de fevereiro de 2026.
Antes de tomar qualquer decisão, a entidade informou que abrirá um processo de consultas envolvendo diferentes atores do futebol europeu, visto que o plano inclui ouvir atletas, clubes, ligas e também torcedores, que já se posicionaram de maneira contrária à ideia. A UEFA afirmou que há uma série de pontos sensíveis a serem avaliados, mas admitiu que o assunto desperta cada vez mais interesse dentro e fora do continente.
Em meio ao debate, o presidente da entidade, Aleksander Ceferin, reconheceu que possui limitações jurídicas para intervir. Isso porque a FIFA precisou rever suas próprias regras que impediam a realização de confrontos de ligas nacionais fora do país de origem, após um acordo judicial com a Relevent Sports, gigante do setor de direitos de transmissão.
“Não estamos satisfeitos, mas temos pouca flexibilidade do ponto de vista legal se ambas as federações concordarem”, declarou o dirigente.
Do lado das arquibancadas, a Football Supporters Europe (FSE), entidade que reúne torcedores de todo o continente, destacou a importância de poder participar das conversas, mas reforçou sua oposição ao projeto. Em documento assinado por mais de 430 grupos de 25 países, a associação defendeu que os campeonatos nacionais devem continuar ligados às cidades, estádios e comunidades locais, posição que também conta com apoio do Comissário Europeu do Esporte, Glenn Micallef.
No caso do Milan, o clube italiano argumenta que o duelo em Perth seria também uma oportunidade de buscar novos mercados, já que o San Siro não poderá ser usado durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno. Apesar dessa justificativa, os torcedores chamam atenção para os impactos ambientais e para o rompimento do princípio esportivo de jogar em casa e fora.
Supercopa da Espanha na Arábia Saudita
Um modelo semelhante já está em prática na Espanha. A Supercopa do país é realizada na Arábia Saudita até 2029 e gera receita anual de € 40 milhões (R$ 215 milhões) para a Real Federação Espanhola de Futebol, com o torneio reunindo quatro clubes e distribuindo premiações fixas e bônus por desempenho.
Em 2025, Barcelona, Real Madrid, Athletic Bilbao e Mallorca participaram da edição, vencida pelo Barça, que contou com Raphinha como MVP e € 8 milhões (R$ 43 milhões) na conta do time catalão. O caso espanhol ilustra como torneios fora da Europa se tornaram fonte relevante de renda, mas também ampliam o debate sobre identidade e tradição do futebol no continente.





