O cenário da mídia esportiva vive uma profunda transformação impulsionada pela convergência entre formatos tradicionais e plataformas digitais. O consumo de conteúdo se diversificou, ampliando o alcance e o perfil do público, que hoje inclui desde as gerações mais maduras, habituadas à televisão aberta, até as novas gerações que preferem formatos on demand, redes sociais e transmissões ao vivo em múltiplos dispositivos.
Essa mudança demanda uma comunicação mais dinâmica, capaz de dialogar simultaneamente com diferentes perfis de audiência, valorizando a personalização, a interatividade e a autenticidade na criação de conteúdo.
Em entrevista exclusiva ao MKTEsportivo, Braune, criador de conteúdo esportivo com presença cada vez mais sólida na TV e nas plataformas digitais, falou sobre sua mais nova colaboração como comentarista do canal Premiere, do Grupo Globo, e detalhou a lógica por trás de um modelo de carreira que já não se prende a rótulos como “influenciador” ou “jornalista”.
Com canais segmentados por público, atuação multiplataforma e visão comercial clara, ele opera hoje como um verdadeiro ecossistema de mídia.
“Todas as vezes que fui solicitado para participar de qualquer tipo de função nos canais Globo, seja em um programa na TV fechada, alguma ramificação da emissora ou até no digital, mesmo que em um simples vídeo, sempre foi super legal. Agora vou comentar partidas no Premiere, mas já participei de programas no SporTV e na Globo, sempre com muita honra”, contou.
A relação com o grupo é antiga, mas se intensifica agora com a presença no Premiere. No entanto, Braune enfatiza que não se vê atrelado a uma única emissora ou plataforma. A diversidade de experiências em diferentes canais, como CazéTV, SporTV, Band, SBT, TNT, é uma escolha consciente.
“Dificilmente fico vários anos em um só lugar. Um ano estou na CazéTV, no outro estou na Globo, no SporTV, na Band, no SBT, na TNT, e por aí vai. E eu prefiro assim”, salientou.
Essa pluralidade também se reflete em sua análise do consumo de conteúdo e da forma como o público se conecta com as transmissões na atualidade. Para Braune, o formato multifunção é essencial. Ele observa que o conteúdo digital, como o da CazéTV no YouTube, funciona como uma programação tradicional de televisão.
“Na casa do meu tio, que tem 50 anos, ele assiste à CazéTV no YouTube. Ao mesmo tempo, chego na casa dos meus amigos ou vejo filhos de conhecidos assistindo ao mesmo conteúdo. A questão é adaptação: conquistar o maior público possível, seja jovem ou mais velho”, salientou.
O influenciador reforça que as figuras públicas são o elo fundamental com o público jovem.
“Personalidades como o Casimiro seguram a audiência jovem. Posso citar também o Felipe Neto, que conheço de perto, e é alguém que atrai muita gente nova dentro do entretenimento”, destacou Braune.
A evolução do consumo esportivo
Braune ainda oferece uma perspectiva histórica ao comparar a transição do rádio para a televisão com as mudanças atuais provocadas pela migração para o digital. Ele cita o livro Cultura da Convergência como referência para entender esse processo e exemplifica com os grandes nomes do rádio e da TV esportiva, como Galvão Bueno, que se adaptaram ao novo formato.
“Você vai ter pessoas que surgem no digital, mesmo que tenham feito poucas coisas antes, mas que já fizeram algo relevante nesse meio. Acho que o CazéTV é um exemplo disso, assim como eu. Mas também terão pessoas que começaram na televisão e que vão se destacar por sua linguagem, por se soltarem mais, e vão se adaptar muito bem ao formato digital. Acho que o Jorge Iggor e o Bruno Formiga, por exemplo, estão fazendo isso muito bem na GETV”, detalhou.
A nova fase da relação do Grupo Globo com o mercado digital também é abordada de forma crítica e otimista. Braune reconhece a importância da estratégia da Globo ao investir em plataformas como a GE TV para não perder espaço para concorrentes, mesmo que isso signifique “concorrer consigo mesma”.
Ele recorda a diferença de audiência entre transmissões na TV aberta e em plataformas digitais.
“A TV aberta está na casa do tiozinho no interior, onde muitas vezes não tem internet. É uma realidade distinta para a gente que está num primeiro mundo com tecnologia de ponta. É melhor você ter essa concorrência consigo mesmo do que perder o público para outros”, cravou.
Multiplataforma
Além do trabalho com grandes emissoras, Braune desenvolve múltiplos projetos em diferentes plataformas, ajustando a linguagem para nichos específicos. No YouTube, o ecossistema próprio é formado pelo Braune Esportes, que é o seu carro-chefe, mas ele também mantém outros perfis, como o BrauneFogo, focado no Botafogo, e outro com conteúdo mais descontraído e de entretenimento, inclusive em parcerias com figuras como Felipe Neto.
“Tenho canais diferentes para nichos diferentes, com conteúdos diferentes, até na mesma plataforma. Isso mostra a importância de entender o público. Não posso parar de falar de esportes, evidentemente, mas dar esse salto pro entretenimento, é fundamental para abocanhar outro público”, destacou.
A pluralidade de audiências se estende para além do Brasil. Braune exalta sua conexão com o público de fora, especialmente em países como Angola, Moçambique e Cabo Verde. Ele relata seu envolvimento com a cobertura da Copa das Nações Africanas e a relevância de compreender onde e como seu conteúdo é consumido.
“Se a gente não tivesse esse feeling, essa percepção, não cavaríamos essas oportunidades e não abriríamos essas portas no mercado estrangeiro”, disse.
“Você é uma emissora”
Na visão de Braune, o futuro da comunicação esportiva está na integração entre ser uma figura aliada às grandes emissoras e, ao mesmo tempo, atuar como uma “emissora” autônoma e empreendedora.
“É importante você entender que você é uma emissora, que você pode ser aliado de outros canais, mas também que você pode ser uma indústria própria. O que diferencia quem cresce e se consolida nesse meio é essa percepção de que você é um empreendedor da sua própria voz, da sua própria comunicação. Você vende o seu espaço”, pontuou.
Por fim, Braune sintetiza sua filosofia profissional, que vai muito além da simples transmissão de informações.
“É fundamental entender quem está assistindo ao seu perfil, qual é a sua audiência, quais são as métricas do seu canal, o quanto você vem crescendo ano após ano e, obviamente, apresentar projetos, números e possibilidades interessantes para as marcas, que é o mais importante”, enfatizou.
“Não é o Braune de uma tal emissora, não é o Braune de um determinado canal, é o Braune. É isso”, finalizou.






