Indústria

Bap garante permanência do Flamengo na Libra até 2029

Presidente do clube disse que o time carioca não jogará sozinho e pediu bom senso aos rivais devido à relevância do Rubro-Negro

Foto: Mariana Sá/CRF

08 de outubro de 2025

4 minutos de Leitura

O Conselho Deliberativo do Flamengo se reuniu na noite de terça-feira (7), na Gávea, para acompanhar as explicações da diretoria sobre os recentes desentendimentos com a Libra, visto que durante a reunião, o clube apresentou seus argumentos e apontou que, até o momento, é o único a ter prejuízo financeiro com o atual modelo de contrato. Apesar da insatisfação, a diretoria deixou claro que o Rubro-Negro seguirá vinculado ao bloco.

A exposição foi conduzida por Marcelo Campos Pinto, representante do time nas negociações da Libra, que apresentou dados e projeções aos conselheiros. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, acompanhou a apresentação e fez algumas intervenções pontuais ao longo da reunião, enquanto o contrato que mantém o Flamengo na Libra foi firmado em 2024, durante a gestão de Rodolfo Landim, antecessor de Bap e hoje seu opositor político dentro da instituição.

“Zero chance (de pedir a desfiliação da Libra). Vamos conviver com esse contrato até 31 de dezembro de 2029 e eles vão conviver com o Flamengo também até essa data”, afirmou o presidente.

A Libra é a liga responsável por negociar coletivamente os direitos de transmissão de clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, sendo que o grupo é composto pelo Palmeiras, Red Bull Bragantino, São Paulo, Santos, Atlético-MG, Bahia, Grêmio, Vitória, Remo, Paysandu, Volta Redonda, ABC, Guarani, Sampaio Corrêa, Brusque e o próprio Flamengo. Recentemente, o clube carioca foi alvo de críticas dos demais integrantes após conseguir na Justiça uma liminar que bloqueou parte do repasse coletivo da venda de direitos de TV, no valor total de R$ 77 milhões, decisão que ampliou o desgaste interno no bloco.

O impasse cresceu após declarações da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, que anunciou a intenção de processar o rival e comparou a atual gestão rubro-negra a terraplanistas. Na apresentação feita à noite aos conselheiros, o ponto central da queixa do clube foi a forma de rateio das receitas de transmissão.

O que o Flamengo contesta na Libra?

O Flamengo alega que a fórmula usada para medir audiência está incompleta e depende de aprovação unânime dos integrantes da Libra, o que, segundo a agremiação, torna o cálculo inviável.

Hoje, a divisão dos valores é estruturada em três frentes: 40% repartido igualmente entre os clubes, 30% conforme o desempenho no campeonato – variando de 9,5% ao campeão a 1,25% aos rebaixados – e 30% relativos à audiência. Esse último item é o mais gera discussão, já que foi aprovado em setembro de 2024, ainda sob a gestão de Rodolfo Landim, com a proposta de que cada time ficasse com metade da audiência de cada jogo em TV aberta, fechada e pay-per-view.

O Rubro-Negro sustenta que o contrato não especifica como o cálculo deve ser feito por plataforma, motivo que o levou a acionar a Justiça para impedir a aplicação da regra.

Em entrevista à FlaTV, Bap comentou sobre a possibilidade de o Flamengo atuar de forma independente e defendeu o papel central do clube nas negociações da liga. Para ele, o futebol brasileiro precisa de diálogo e entendimento entre os participantes.

“Claro que que não jogaremos sozinhos. Isso são narrativas tolas. Até porque se o Flamengo jogasse sozinho, o dinheiro que sobraria para os outros seria muito pouco. O Flamengo jogando sozinho, para as outras 19 torcidas seria um desgosto profundo”, disse.

“Nós tentamos nesses 9 meses um acordo com a Libra e não foi possível até agora. Eu espero que os outros clubes tenham bom senso, reflitam e vejam a relevância do Flamengo. O Flamengo quer olhar pra frente. Depende dos outros clubes”, concluiu o presidente do clube carioca.

Compartilhe
ver modal

Assine a newsletter do MKT