Indústria

Casares detalha plano de investimento em Cotia e valoriza redução da dívida do São Paulo

Presidente tricolor concedeu entrevista coletiva para anunciar medidas de transparência na gestão e apresentar avanços financeiros

Foto: Rubens Chiri / São Paulo

15 de outubro de 2025

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Durante entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (14), no CT da Barra Funda, Júlio Casares apresentou novos detalhes sobre o plano de investimentos voltado às categorias de base do São Paulo. O presidente explicou que o projeto integra a estratégia de fortalecimento financeiro do clube e revelou que a atual gestão conseguiu reduzir o endividamento em R$ 57 milhões, além de projetar um superávit próximo de R$ 20 milhões até o fim da temporada.

O modelo proposto tem gerado divergências internas e entre torcedores, principalmente pela interpretação de que o Tricolor estaria abrindo mão de parte do controle de Cotia. O Fundo de Investimento em Participações, criado para administrar o projeto, é estruturado em parceria com a Galápagos Capital, a mesma gestora responsável pelo FIDC que cuida do passivo financeiro do time do Morumbi.

O plano prevê um aporte inicial de R$ 250 milhões, sendo R$ 200 milhões destinados ao centro de formação e R$ 50 milhões voltados à diminuição das dívidas. A proposta, segundo a diretoria, busca assegurar o desenvolvimento sustentável do futebol de base e a modernização da estrutura de Cotia.

O São Paulo continuaria responsável pelas decisões esportivas, mas parte dos lucros obtidos com futuras transferências de jogadores seria compartilhada com o fundo (cerca de 30%). A ausência de informações mais detalhadas, porém, causa desconfiança entre conselheiros e torcedores, que pedem maior transparência sobre as condições do acordo. Esse cenário dificulta o avanço da votação do projeto no Conselho Deliberativo.

“Não existe prazo para aprovação. O projeto é bom, estrategicamente bom. Ele tá numa fase de ampla discussão interna. Ele passou por unanimidade no conselho de administração, por que você tem que sinalizar para quem coloca dinheiro, que o projeto se iniciou. Nós estamos num momento de conscientização. Muitos de vocês já tiveram conversas na Galápagos. São tantos detalhes que eu não posso fazer uma coletiva apenas para explicar o projeto que levaria 40 minutos”, disse o presidente tricolor.

“Acredito que é estratégico, é importante e cabe a cada conselheiro, a cada formador de opinião entender o processo. Convido você a ir na Galápagos. Acredito que o São Paulo amadurecido do jeito que está vai caminhar pra algo diferente. Não é uma vinculação patrimonial, não é venda de ativo. Pelo contrário, é estratégico e vai levar o São Paulo num passo importantíssimo pro futuro. Eu tenho a preocupação de ao final do meu mandato deixar um grande legado”, completou.

Questionado sobre o motivo pelo qual o torcedor deveria acreditar que o clube está reorganizando sua situação financeira, Casares reforçou os avanços obtidos nos últimos meses e preferiu destacar a redução das dívidas.

“A notícia que estamos no caminho certo é o relatório financeiro que deverá sair entre amanha ou depois que já aponta que, de janeiro a setembro, o São Paulo diminuiu a dívida em R$ 57 milhões – esse é um dado novo que eu estou dando agora – e dá um superávit de quase R$ 20 milhões. O FIDC está funcionando muito bem. Reduzir a dívida em R$ 57 milhões nominal é algo muito importante. Você vê que a dívida dos clubes está aumentando e a nossa diminuindo. É um luta permanente. O São Paulo está no caminho certo”, declarou.

Ao final da coletiva, o dirigente também respondeu sobre a condição física de atletas experientes como Lucas e Oscar, que recebem os maiores salários do elenco, mas enfrentaram uma temporada marcada por lesões. Casares afirmou que confia na recuperação dos jogadores e atribuiu parte das dificuldades ao calendário e à qualidade dos gramados do país.

O presidente ainda voltou a se manifestar sobre a arbitragem, retomando críticas ao desempenho dos árbitros no clássico contra o Palmeiras, quando a CBF afastou os responsáveis pelo campo e pelo VAR.

“Por que o árbitro não pode atender, de uma forma regulamentada, a imprensa com quatro ou cinco perguntas e ponto final? Ele também tem que colocar a cara para bater, como a gente chama, porque senão fica fácil. Eu erro, peço desculpas…”, pontuou.

“Esses erros não podem voltar a acontecer. E a melhor forma de não voltar a acontecer não é só afastar os árbitros, treinar, etc. Neste caso em particular, essa equipe do VAR e esse árbitro não devem mais apitar jogos do São Paulo. Os pontos não voltarão. Eram quase garantidos os três pontos. A saída é a profissionalização do árbitro, e a renovação do quadro de árbitros”, concluiu.

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