
Aqui, costumo trazer temas ligados ao basquete que possam inspirar reflexões e oferecer informações relevantes para quem vive ou acompanha essa fantástica modalidade.
No ano passado, a Federação Paulista de Basketball celebrou 100 anos de história. E, olhando para esse primeiro ano do novo centenário, tive a oportunidade de presenciar um feito especialmente motivador no Campeonato Paulista Adulto – Divisão Especial.
O basquete paulista vive um momento interessante e necessário. Das 11 equipes que disputaram a divisão especial masculina, 9 também participam do NBB. Essa concentração de força técnica aumenta o nível da competição e reforça o poder de atratividade do torneio.
Nesse sentido, tenho acompanhado muitas outras federações desenvolvendo um trabalho formidável e fomentando a modalidade. E é por isso que acredito que o basquete brasileiro realmente está se tornando cada vez mais profissionalizado.
Por isso, neste artigo, apresento o case de uma equipe tradicional que vem trilhando um caminho pautado pela gestão estratégica. Um movimento silencioso, porém, transformador, que reposicionou o conceito de “time” para um produto de entretenimento e negócios.
Falo da reconstrução do Mogi das Cruzes Basquete um projeto que, sob nova liderança, une ousadia, propósito e uma leitura contemporânea do esporte como ativo comercial.
De clube tradicional a marca moderna
Mogi das Cruzes sempre foi um nome de peso no basquete brasileiro. Ao longo das décadas, diversos jogadores de destaque nacional vestiram a camisa da equipe, ajudando a construir uma identidade sólida, uma torcida apaixonada e uma história marcada por grandes momentos: dos antigos campeonatos paulistas e brasileiros às recentes participações no NBB, incluindo a memorável final da temporada 2017/18.
Como ocorre com muitos projetos esportivos no país, porém, a falta de estrutura profissional acabou limitando o potencial de crescimento do time. Em um gesto de responsabilidade financeira, a equipe optou por ficar fora da temporada 2022/23 do NBB.
Agora, esse ciclo começa a virar a página.
Comediante em quadra
A nova gestão, comandada pelo humorista e empresário Vitor Sarro (mais de 2,6 milhões de seguidores só no instagram), representa muito mais do que uma mudança de comando. É a entrada de uma nova mentalidade, pautada pela lógica do entretenimento, da comunicação autêntica e da visão de negócio.
Sarro entende algo essencial: o basquete não é apenas esporte, é conteúdo. E conteúdo, quando bem trabalhado, é negócio.
E se engana quem acha que comédia não combina com esporte. Ser divertido não é sinônimo de falta de comprometimento. Pelo contrário, é dar uma nova linguagem para o esporte. Ele brinca, mas leva a sério o desempenho de sua função.
Demonstração de Força
A consagração desse novo momento veio com um cenário simbólico: a final do Campeonato Paulista entre Mogi das Cruzes e SESI/Franca. O Ginásio Prof. Hugo Ramos, em Mogi, esteve lotado, pulsando energia, cor e emoção. Um retrato fiel da força que o basquete pode ter quando bem trabalhado fora das quadras. O espetáculo não foi apenas o jogo em si, mas todo o ambiente de engajamento construído em torno dele: ativações, comunicação eficiente e uma torcida que voltou a engajar com o projeto. Mogi mostrou que, com gestão, paixão e estratégia, é possível transformar um evento esportivo em uma verdadeira experiência de marca. Até telão externo para quem não conseguiu ingresso foi colocado do lado de fora do ginásio.

Nas palavras do Vitor Sarro: “Há três meses eu e 3 amigos decidimos investir em um time de basquete! A maior loucura da minha vida, nem eu sabia que seria a jornada mais difícil e emocionante de todas! O basquete é um esporte de emoção o tempo todo! O bastidor disso é difícil demais, mas quem me conhece sabe que só existe impossível até a gente fazer acontecer, aí se torna real demais! E torcida: enquanto eu estiver aqui, trincheira vira palco!”.
Gestão profissional e posicionamento de marca
O que Mogi começa a construir é um modelo de clube alinhado às melhores práticas do marketing esportivo moderno. Estrutura administrativa, planejamento de longo prazo, reposicionamento de marca e novos formatos de relacionamento com o torcedor estão no centro da estratégia.
E uma das primeiras atitudes tomada pela nova gestão foi de trabalhar nas melhorias do Ginásio. O piso novo deu uma nova cara para os jogos e contribuiu para a melhoria da performance e saúde física dos atletas. A instalação do painel de LED em volta da quadra também eleva a imagem de profissionalismo do time.
A equipe volta ao mercado com uma narrativa contemporânea, conectada com a cultura digital e com o consumo atual de esporte: experiência, identificação e propósito.
Nesse novo formato, o torcedor deixa de ser apenas espectador para se tornar parte da história. A marca deixa de depender de resultados em quadra e passa a construir valor de forma contínua, com base em engajamento, presença e relevância.
Entretenimento como ativo de negócio
A chegada de Vitor Sarro simboliza também o que o esporte precisa aprender com o show business: o público quer emoção, mas também quer entretenimento. o entretenimento, quando bem explorado, se transforma em plataforma comercial.
Ao unir humor, criatividade e paixão pelo basquete, Mogi cria uma nova forma de se comunicar com o mercado. Mais leve, mais verdadeira e com alto potencial de conexão com marcas. Isso abre portas para novos patrocinadores, para ativação de mídia e para um modelo de monetização sustentável.
Eu tive o prazer de presenciar o jogo da semifinal que deu a vaga para o Mogi nas finais. E pude ver que realmente o Vitor Sarro estava lá em todos os momentos, interagindo, participando, atuando e agitando a torcida. Tinha momentos que ele estava conversando com atletas, com a comissão, com dirigentes da federação e com os torcedores. De fato, o discurso dele não foi só numa postagem, foi na vida real.

Depois, estive na coletiva de imprensa (dentro do ginásio do Mogi das Cruzes Basquete) para anunciar as finais do Paulista e a renovação por mais 3 anos da Penalty com a Federação. Logo após essa coletiva, o Mogi Basquete, através da figura do Vitor Sarro, anunciou o seu patrocínio Master, que é a empresa do ramo financeiro chamada HIC Investimentos. Em todo o discurso do time, é feito um convite para que as empresas conheçam o projeto e possam entender os formatos de parceria que podem ser construídos entre as entidades. Nesse mesmo dia, no período noturno, aconteceu o jogo 1 da final com a equipe multicampeã do SESI/Franca e o ginásio estava, mais uma vez, completamente lotado.
Ao olhar para as arquibancadas, era fácil perceber um perfil de torcedor que é bem família, jovem, engajado e empolgado. Na quadra, teve brincadeiras com o mascote, show do intervalo, ações com torcedores e um animador que não parou em momento algum. Até o Vitor Sarro ficou “maluco” e pegou o microfone para agitar a torcida. Um clima diferenciado que contagiou todos presentes e impulsionou o time para realizar uma partida extremamente equilibrada.
O novo jogo fora das quadras
O Mogi das Cruzes Basquete, assim como outras equipes, entendeu que a verdadeira disputa está fora das quadras. Um projeto estruturado tem mais chances de atrair parceiros, mídia, patrocinadores e, consequentemente, trazer resultados dentro da quadra.
Eles estão construindo um case de reposicionamento, que combina estratégia, emoção e entretenimento.
Se der certo — e tudo indica que sim —, o projeto pode se tornar um modelo de referência para o basquete brasileiro. Porque, no fim das contas, o futuro do esporte não é só sobre quem marca mais pontos, mas sobre quem entende melhor o negócio do jogo. É para quem entende que esporte é uma das melhores plataformas de mídia que existe.
O que acontece em Mogi das Cruzes não é um caso isolado. É um reflexo do amadurecimento que o basquete paulista vem experimentando. De SESI/Franca a Rio Claro, de Bauru a São José dos Campos, do Paulistano a Pinheiros, o que se vê é um movimento cada vez mais profissional — de estrutura, de marca e de propósito.
E esse movimento é vital: sem gestão, o talento não sobrevive; sem marca, o resultado não se sustenta.





