O circuito de Mônaco, o mais antigo da história da Fórmula 1 com quase um século de existência, sempre esteve associado ao charme e à tradição do automobilismo. O GP de Singapura, apesar de bem mais recente, reúne características que remetem à pista europeia: um traçado urbano em meio a um cenário de luxo. Não à toa, a corrida deste domingo (5) é vista como aquela que mais se aproxima da atmosfera do Principado, mas com identidade própria no continente asiático.
Desde 2008, quando estreou no calendário, Singapura se destacou ao inaugurar o primeiro Grande Prêmio noturno da categoria. A iluminação artificial montada ao longo de suas ruas transformou a cidade em palco de um espetáculo que vai além das disputas na pista, já que o brilho das luzes se mistura aos arranha-céus iluminados.
Alerta de calor no GP de Singapura
O traçado fechado, com barreiras próximas e ausência de áreas de escape, reforça as dificuldades de guiar no circuito asiático. A realização da corrida à noite adiciona outro componente desafiador, ainda mais considerando o clima local: com a proximidade da linha do Equador, a umidade é elevada e a temperatura ultrapassa facilmente os 30 °C, mesmo após o pôr do sol.
Para lidar com essas condições extremas, os pilotos contarão em 2025 com uma novidade tecnológica – trajes equipados com sistemas de refrigeração portátil que serão testados pela primeira vez neste fim de semana, após a F1 declarar alerta de calor inédito no circuito.
As características únicas de Singapura a colocam entre as provas mais exigentes do campeonato, sendo que alguns pilotos a classificam como a etapa mais difícil do ano, sendo a única pista das 24 do calendário atual em que Max Verstappen ainda não conquistou uma vitória. O holandês reconheceu o tamanho do desafio em entrevista ao ge.
“Sobre ser a pista de maior dificuldade do ano, isso depende de muitos fatores. Se o carro é instável, é muito difícil mantê-lo na pista. Mas se o carro é bom de pilotar, então é mais sobre a parte física. É sempre muito quente e você está suando muito, então você tem que se preparar para isso. Mas acho que todos nós já fizemos isso, treinamento de calor e outras coisas, para se preparar para esse tipo de corrida, nos acostumando com o desconfortável. É uma pista legal. Claro, eu nunca ganhei lá, mas é uma sensação legal pilotar lá, e espero que este ano sejamos um pouco mais competitivos”, disse.
Mônaco e Singapura: paralelos de glamour e corridas urbanas
O paralelo com Mônaco também aparece fora da pista. Tanto o Principado quanto Singapura têm territórios pequenos e alto poder econômico, o que se reflete na presença de milionários e na procura intensa pelos ingressos mais exclusivos. Um exemplo é o do Marina Bay Sands, hotel que oferece pacotes VIP de R$ 560 mil, rapidamente esgotados. Com três torres ligadas por uma plataforma no 55º andar, onde fica a piscina de borda infinita mais alta do mundo, o edifício virou parte do espetáculo.
Assim como em Monte Carlo é comum ver fãs acompanhando a corrida de iates, em Singapura as câmeras frequentemente registram hóspedes observando a prova da cobertura panorâmica do hotel.
O pacote de hospitalidade que ultrapassa meio milhão de reais para três dias inclui hospedagem no Marina Bay Sands, jantares assinados por chefs premiados com estrelas Michelin, credenciais de acesso ao paddock e um evento exclusivo com a equipe Ferrari, parceira comercial do hotel e que concentra parte de sua delegação no local durante a semana da corrida.
O contrato de Singapura com a F1 está garantido até 2028, mas o sucesso financeiro e de público do chamado “GP de Mônaco do Oriente” pode prolongar sua permanência no calendário, assim como ocorreu com Monte Carlo, que assegurou vínculo até 2035.
A corrida noturna, marcada para este domingo (5), com largada às 9h (horário de Brasília), abriu caminho em 2008 para a realização de outras provas da categoria sob os refletores, inspirando etapas como Arábia Saudita, Abu Dhabi, Bahrein, Catar e Las Vegas – hoje são seis no calendário.





