Indústria

Jogo do Milan na Austrália reacende discussão sobre negócios no futebol

Jogadores e técnicos criticam a viagem, enquanto CEO da liga italiana diz que atletas ganham milhões para jogar

Foto: Sempremilan

13 de outubro de 2025

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A proposta de levar um jogo do Campeonato Italiano para a Austrália, em fevereiro, movimentou o futebol europeu e abriu uma discussão sobre os limites comerciais do esporte, sendo que o plano da liga é realizar o confronto entre Milan e Como em Perth, mas a ideia dividiu opiniões entre atletas e treinadores.

No Milan, os franceses Adrien Rabiot e Mike Maignan se manifestaram contra a viagem, e o técnico da Lazio, Maurizio Sarri, também expressou descontentamento, com o tema ganhando ainda mais repercussão após o CEO da Serie A, Luigi de Siervo, responder de forma dura às críticas: “Ganham milhões para jogar”.

O volante francês foi o primeiro a se posicionar contra a proposta de cruzar mais de 13 mil quilômetros para disputar uma partida de campeonato nacional, destacando que a decisão ignora a sobrecarga do calendário e o debate sobre a saúde física e mental dos jogadores.

“Isso é totalmente louco. Sei que há acordos econômicos para dar visibilidade ao campeonato, mas tudo isso está além da nossa compreensão – afirmou o francês. A questão dos calendários, da saúde dos jogadores, é muito discutida, e parece uma loucura viajar tantos quilômetros para jogar uma partida entre duas equipes italianas na Austrália. Mas temos que nos adaptar. Como sempre”, disse Rabiot.

Em resposta, De Siervo afirmou que o jogador deveria aceitar a determinação do clube, comparando a situação à de um empregado que cumpre ordens.

“Rabiot tem razão, nós tomamos decisões acima dele. Mas ele esquece, como todos os jogadores que ganham milhões de €, que eles são pagos para exercer uma profissão: jogar futebol. Ele deveria respeitar o dinheiro que ganha, aceitando assim a vontade do seu patrão, que é o Milan”, afirmou o dirigente à imprensa italiana.

O executivo defendeu a mudança de sede como uma forma de promover o campeonato em novos mercados, classificando a decisão como um esforço temporário pelo bem do torneio.

“Espero que os torcedores, que se preocupam com o futuro do futebol italiano, entendam que esses pequenos sacrifícios trarão benefícios a médio e longo prazo”.

Durante entrevista coletiva com a seleção francesa, o goleiro Mike Maignan reforçou o posicionamento do companheiro de equipe e criticou a motivação financeira por trás da proposta.

“Sobre o que disse Rabiot, eu estou totalmente de acordo com ele. Hoje em dia se pensa muito no aspecto financeiro, mas esquecemos algumas coisas. É uma partida do Campeonato Italiano, não entendo por que vai ser disputada no exterior”, disse Maignan, lembrando que o Milan perderá o mando de campo em um jogo da 24ª rodada.

“Vamos perder o fator casa. Nossos objetivos são altos e não podemos deixar nada ao acaso”, completou.

O treinador da Lazio, Maurizio Sarri, também se manifestou, afirmando que a fala do dirigente da liga foi inadequada e demonstrou priorizar o dinheiro em detrimento do equilíbrio esportivo.

“Rabiot tem razão, o dinheiro não justifica tudo. A resposta (de Luigi de Servio) foi desagradável, assim como a menção ao aspecto econômico. Rabiot poderia responder que o dinheiro nem seria pago pela Liga se ele não entrasse em campo todos os domingos para jogar”, comentou o técnico italiano.

A discussão sobre partidas nacionais disputadas fora dos países de origem vem ganhando espaço na Europa, sendo que a LaLiga confirmou o jogo entre Villarreal e Barcelona em Miami, nos Estados Unidos, em dezembro, enquanto a Serie A estuda seguir o mesmo caminho com Milan e Como.

Ligas europeias exportam jogos para novos mercados

Tanto a Itália quanto a Espanha já transferiram suas Supercopas para o exterior – os italianos desde 1993, com edições em países como Estados Unidos, Líbia, China, Catar e Arábia Saudita, e os espanhóis desde 2018, com embates no Marrocos e também na Arábia Saudita. A diferença agora é que a proposta envolve um jogo de campeonato, e não uma final, o que levanta dúvidas sobre a justiça esportiva e o impacto no desempenho dos clubes.

No caso espanhol, o Real Madrid criticou publicamente a mudança de local do duelo entre Villarreal e Barcelona, alegando que a decisão prejudica o equilíbrio da competição. Em nota, o clube afirmou que para garantir a integridade da competição, todas os confrontos deveriam ser disputadas em igualdade de condições e alertou que transferir jogos para o exterior marcaria um ponto de virada para o mundo do futebol.

Mesmo com a resistência, a Uefa anunciou na última semana que aprovou, “com relutância”, os pedidos da LaLiga e da Serie A para levar partidas a outros países, com a entidade destacando que a autorização é excepcional e ainda depende do aval da Fifa e das federações locais – a dos Estados Unidos, no caso do jogo espanhol, e a da Austrália, para o confronto italiano.

No comunicado oficial, a Uefa reforçou sua posição contrária a jogos nacionais fora das fronteiras de origem, mas reconheceu que a decisão atende a “circunstâncias especiais” do futebol atual.

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