A discussão sobre o futuro da Libra voltou a ganhar força depois de declarações da presidente do Palmeiras. Leila Pereira defendeu publicamente a criação de uma nova liga de clubes, sem a participação do Flamengo, como alternativa ao impasse que envolve o time carioca e o atual modelo da entidade.
A movimentação acontece em meio ao processo judicial movido pelo Rubro-Negro para suspender o pagamento de R$ 77 milhões referentes a uma das parcelas do contrato de pay-per-view do Brasileirão, visto que a liminar obtida na Justiça bloqueou o repasse a todos os integrantes, medida que gerou forte reação nos bastidores. O clube da Gávea argumenta que foi prejudicado pelas regras de distribuição e pede a revisão do acordo firmado em 2024 e válido até 2029.
“A minha sugestão seria nós criarmos uma outra liga e excluir o Flamengo. Acho que o Flamengo tem que jogar sozinho. Nenhum clube é maior que o futebol brasileiro. O Palmeiras não joga sozinho, o Flamengo não joga sozinho”, disparou Leila em entrevista concedida ao Esporte Record na terça-feira (30).
A mandatária também reforçou críticas à postura da diretoria carioca, avaliando que essa forma de conduzir negociações não traz benefícios ao futebol nacional.
“Só se ele (Flamengo) quiser jogar contra o Sub-20. Então acho que seria bonito nós formarmos uma nova liga, excluindo o Flamengo, e o Flamengo joga com ele mesmo. Quero ver a audiência que vai ter”, disse.
“Eu acho muito difícil gestores com essa mentalidade, isso não engrandece em absolutamente nada o futebol brasileiro”, acrescentou a presidente do Alviverde.
Entenda o Caso
O imbróglio sobre a divisão das receitas de transmissão se intensificou quando o Flamengo acionou a Justiça para questionar os critérios definidos pela Libra, sendo que a decisão da diretoria presidida por Luiz Eduardo Baptista provocou desconforto entre os demais clubes e abriu espaço para discussões que aproximam membros da própria liga e da Liga Forte União, ainda que sem consenso pleno. Segundo o jornalista Danilo Lavieri, do UOL, essa movimentação pode gerar articulações coletivas contra a estratégia rubro-negra.
No centro da disputa está a interpretação de que o Flamengo busca reabrir um acordo já assinado e válido até 2029. Para dirigentes de outros clubes, esse contrato foi avalizado institucionalmente e deveria ser respeitado.
A posição flamenguista, por sua vez, é de que os critérios de audiência não são claros e de que a aprovação do regulamento ocorreu sem a concordância de todos, o que justificaria a contestação judicial. Com a liminar, foram congelados os R$ 77 milhões que a Globo repassaria à Libra.
As manifestações contrárias se multiplicaram, com críticas públicas de Palmeiras, São Paulo, Santos, Atlético-MG, Bahia, Grêmio e Vitória, este último anunciando que deixará a Libra ao fim do atual compromisso. O Rubro-Negro carioca, em paralelo, tenta se aproximar do Corinthians para negociar em conjunto os próximos direitos de transmissão, embora o momento político do clube paulista seja visto como empecilho para um alinhamento imediato.





