Nos bastidores do vôlei brasileiro, um movimento crescente promete reformular o modelo de gestão da Superliga, que atualmente é administrada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).
De acordo com o Estadão, um grupo de 19 clubes, tanto da liga masculina quanto da feminina, está em discussões avançadas para criar uma nova liga, com um modelo de administração privada. A proposta ganhou força nas últimas semanas, especialmente após a XP Investimentos se colocar como intermediária para viabilizar o projeto.
A ideia central é vender uma parte dos direitos comerciais e de transmissão da Superliga a investidores, levantando cerca de R$ 70 milhões. O modelo de negócio proposto é semelhante ao da LFU no futebol, assessorado também pela XP, onde clubes venderam uma porcentagem de seus direitos por 50 anos. No entanto, ao contrário da Liga Forte União, ainda não há clareza sobre as contrapartidas dessa transação.
A crise financeira da Superliga, marcada por déficits recorrentes, tem sido um dos principais catalisadores para essa mudança. De acordo com a CBV, a confederação não tem arrecadado o suficiente para cobrir os custos do torneio, com um prejuízo de R$ 17 milhões na temporada passada. A premiação para os clubes, que somou R$ 3 milhões, também é considerada insuficiente, sendo que o campeão levou apenas R$ 250 mil.
A insatisfação dos dirigentes vai além das questões financeiras. Eles apontam que a entidade máxima do vôlei brasileiro não soube explorar adequadamente as receitas do torneio, como os naming rights e outros acordos comerciais, o que gerou um clima de desconfiança.
Outro ponto crítico é a falta de transparência nas contas da confederação, especialmente sobre a arrecadação do torneio, que é desconhecida para os clubes participantes.
Embora a CBV justifique a ausência de divulgação pública dessas informações por questões contratuais e confidenciais, a insatisfação persiste, especialmente quando se trata de decisões comerciais, como a distribuição das placas publicitárias nas quadras. Nos últimos anos, a CBV reservou mais da metade dessas placas para patrocinadores da entidade, enquanto os clubes tinham acesso a apenas uma parte das receitas geradas por elas.
Outro ponto de atrito é a decisão de realizar a final da Superliga em um único jogo, como deseja a Globo. Muitos clubes defendem que a decisão deveria ocorrer em uma série melhor de três jogos, um modelo que, segundo eles, seria mais justo e atraente para os torcedores.
A proposta de criação de uma liga privada visa justamente resolver essas questões, buscando maior eficiência na gestão e captação de recursos. A ideia é que, ao se desvincular da CBV, a Superliga poderia se concentrar exclusivamente na comercialização de seus direitos, sem a sobrecarga de administrar também as seleções brasileiras, as divisões inferiores e os torneios de vôlei de praia.
Segundo o documento apresentado pela XP, os clubes teriam a opção de formar um “condomínio” e vender uma parte dessa iniciativa a investidores. Esses sócios minoritários passariam a receber uma parte proporcional das receitas geradas pela liga. Além disso, a empresa especializada em investimentos também menciona a participação de fundos e da Livemode como potenciais investidores nesse novo modelo.
A atuação da CBV nesse novo cenário ainda está em aberto. A confederação pode continuar envolvida, mas como acionista minoritária ou prestadora de serviços, sem interferir diretamente na gestão do torneio. A XP, por sua vez, ficaria responsável pela intermediação dos negócios, recebendo uma comissão de 5% dos clubes pelas transações.
A ideia de uma nova liga está sendo bem recebida por muitos clubes, que veem nela uma oportunidade de aumentar a arrecadação e melhorar a visibilidade do vôlei no Brasil. No entanto, o caminho até sua implementação será repleto de desafios, incluindo a negociação de contratos existentes e a superação da resistência de alguns setores da CBV.





