A Uefa avalia uma mudança nas normas de propriedade multiclubes (MCO) a partir da próxima temporada para reduzir conflitos entre equipes com investidores em comum, visto que a discussão ganhou força após o Crystal Palace perder a vaga na Europa League e ser deslocado à Conference League. A entidade pretende conceder um prazo maior para que os clubes solucionem situações semelhantes e evitar novos impasses administrativos, segundo informações do The Guardian.
O caso que motivou o debate envolveu a equipe londrina, campeã da Copa da Inglaterra, mas impedida de participar da Europa League porque as regras não permitem que times com o mesmo acionista disputem uma mesma competição continental. Os ingleses tiveram até 1º de março de 2025 para resolver o entrave, mas não conseguiram apresentar uma solução viável.
Naquele período, John Textor detinha 43% do Palace e também fazia parte do grupo de controle do Lyon, outro participante da competição. A direção do time inglês tentou demonstrar que o empresário não exercia poder executivo direto, porém a Uefa manteve a restrição.
Com o fim do prazo, a vaga acabou nas mãos do Lyon, que terminou a Ligue 1 na sexta posição, enquanto o Palace ficou em 12º na Premier League. Já o Nottingham Forest herdou o posto na Europa League.
Entre as medidas em discussão, a Uefa analisa estender o limite para regularizar casos de multipropriedade até o início de junho, mês em que ocorrem os sorteios das fases preliminares da Europa League e da Conference League. Ainda assim, as agremiações precisariam comunicar possíveis conflitos antes de março, já que a ideia é que um prazo duplo ofereça margem de ajuste sem comprometer o calendário das competições.
Muitos times que compartilham um mesmo investidor utilizam um modelo de fundo cego para gerir uma das equipes e, assim, obter a licença necessária para participar de torneios continentais, visto que essa estrutura já foi aplicada por Manchester City e Girona na Champions League, e por Manchester United e Nice na Europa League, garantindo a regularidade dos dois pares. O Crystal Palace, no entanto, optou por não recorrer a esse formato na relação com o Lyon e informou posteriormente que não estava ciente do limite imposto para a resolução do impasse.
A equipe londrina ainda tentou reverter a decisão da Uefa no Tribunal Arbitral do Esporte, mas não teve êxito mesmo com a saída de John Textor de seu quadro acionário. Após o resultado, o presidente do Palace, Steve Parish declarou que a exclusão foi um golpe duro e que o clube se viu preso a uma regra que, em sua visão, não refletia o contexto real da situação, reforçando o sentimento de frustração com o desfecho do caso.





