Indústria

UNICEF quer usar o futebol para promover a cultura de doação no Brasil

A aliança com a modalidade abre uma nova frente de diálogo com a sociedade, capaz de reposicionar a ideia de doar como um ato coletivo

Maria Izabel Toro, head de Novos Negócios e Filantropia do UNICEF

06 de outubro de 2025

4 minutos de Leitura

Em um país onde as desigualdades sociais seguem marcando a infância de milhões de meninas e meninos, fortalecer a cultura de doação é mais do que uma necessidade, é uma urgência.

No entanto, como aponta Maria Izabel Toro, head de Novos Negócios e Filantropia do UNICEF, durante sua participação no Invite, o programa oficial do MKTEsportivo, o Brasil ainda está distante de consolidar uma mentalidade coletiva de apoio contínuo a causas sociais. O que existe, segundo ela, é um comportamento pontual, ativado apenas em situações extremas.

“No Brasil, não temos uma cultura forte de doação. Temos uma cultura de doação forte apenas em situações emergenciais. Não existe uma ação sistemática, mensal, e isso faz toda a diferença para as organizações sociais. Acredito que não se trata de uma questão de renda, mas de cultura. Existe uma falta de confiança das pessoas nas organizações sociais. Inclusive, abro parênteses aqui para dizer que o Unicef é uma das entidades mais transparentes do mundo, porém ainda existe essa falta de confiança. Às vezes, as pessoas preferem ajudar quem está próximo, quem ela está vendo, do que doar para uma instituição que está fazendo um trabalho com políticas públicas e que tem o potencial de gerar escala para trazer sustentabilidade para as ações sociais”, detalhou.

A reflexão da profissional acontece em meio à preparação para o evento Jogando Juntos pelo UNICEF, que será realizado no dia 12 de outubro, no Pacaembu, e propõe uma união simbólica entre futebol, cultura e solidariedade.

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O evento reunirá lendas do esporte, artistas e criadores de conteúdo com o objetivo de arrecadar fundos para os programas do UNICEF no Brasil. Mas para além da mobilização pontual, a iniciativa é uma tentativa concreta de educar o público sobre o valor das doações regulares, aquelas que sustentam, de fato, a continuidade dos projetos sociais.

O futebol como canal de mobilização e confiança

A falta de confiança nas instituições é uma barreira cultural que o UNICEF tenta enfrentar com transparência, resultados concretos e, agora, com o apoio de parceiros estratégicos, como a Federação Paulista de Futebol (FPF).

Ao conectar-se a uma das maiores paixões nacionais, a organização aposta na força simbólica do futebol para transformar percepção em ação.

“O futebol tem um papel gigantesco de influenciar as pessoas, de ser referência. Com esse potencial, o esporte também pode trazer a pauta da doação. Acredito muito que essa parceria com a Federação Paulista de Futebol vai maximizar essa comunicação que a gente quer trazer. Para que possamos falar um pouco mais da cultura de doação, de apoiar as crianças e adolescentes. Afinal de contas, precisamos do apoio de toda a população e o futebol vai trazer essa visibilidade pra gente, tenho certeza”, comentou Maria Izabel.

O poder de mobilização do esporte transcende o entretenimento. Ele gera pertencimento, inspira confiança e é capaz de conectar diferentes camadas sociais em torno de um objetivo comum. Para o UNICEF, essa aliança com o futebol abre uma nova frente de diálogo com a sociedade, capaz de reposicionar a ideia de doar como um ato coletivo, contínuo e transformador.

Doações que constroem políticas públicas

Com presença em mais de dois mil municípios e ações estruturadas nas áreas de educação, saúde, nutrição, proteção infantil e combate à violência, o UNICEF tem sido protagonista na formulação e execução de políticas públicas fundamentais, como a própria criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

No Invite, Maria Izabel reforçou que doar para instituições como o UNICEF não é caridade pontual, mas investimento em soluções de longo prazo.

“Que a gente possa promover a adoção dessa cultura de pessoas físicas, que tenham confiança na instituição, analisem todo o histórico de Unicef. É importante que as pessoas comecem a apoiar organizações. Afinal de contas, cada real que cai na conta da Unicef é muito bem utilizado”, finalizou.

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