Indústria

Autódromo de Guaratiba: Rio de Janeiro avança em projeto ambicioso para receber a F1

A iniciativa promete fortalecer o legado brasileiro na competição e impulsionar a Cidade Maravilhosa como um centro global do esporte a motor.

Foto: Andrew Boyers/Reuters

20 de novembro de 2025

4 minutos de Leitura

O Brasil sempre teve uma relação de destaque com a Fórmula 1, com corridas históricas e pilotos icônicos passando por aqui. Para continuar essa tradição e fazer parte do calendário da categoria, o Rio de Janeiro está se preparando para um novo e grandioso projeto: o Autódromo de Guaratiba.

A iniciativa promete fortalecer o legado brasileiro na competição e impulsionar a Cidade Maravilhosa como um centro global do esporte a motor.

A proposta foi discutida durante o Lance! Talks, evento realizado na última terça-feira (18), com a presença dos presidentes da Câmara de Vereadores do Rio, Carlo Caiado, e da Federação de Automobilismo do Estado do Rio de Janeiro (Faerj), Djalma Never.

Durante o painel, Caiado destacou a superioridade do projeto de Guaratiba em comparação com o histórico Autódromo de Interlagos, em São Paulo, especialmente em termos de velocidade média e condições para receber outras categorias do automobilismo.

“Com certeza o Rio de Janeiro vai ter Fórmula 1. A gente sempre buscou, até de um jeito interessante, fazer uma central, fazer uma norte, aquela área que precisa de equipamentos que possam gerar economia e que possam gerar desenvolvimento mais ordenado”, disse o vereador.

O novo circuito de Guaratiba foi projetado para uma velocidade média de 241 km/h para a F1, superando o circuito de Interlagos. Com uma extensão de 4,71 quilômetros, o autódromo será mais longo do que o de São Paulo e se destaca pela versatilidade do traçado.

São previstas até 11 variações do circuito, o que permitirá que ele seja adaptado para outras modalidades do esporte a motor, como a MotoGP, uma vantagem competitiva que o Rio de Janeiro terá sobre a capital paulista, que tem limitações para a motovelocidade devido ao formato de seu traçado.

Outro ponto central é a expectativa de público, com capacidade para cerca de 360 mil pessoas ao longo dos três dias de evento, o que representa um incremento na atração de turistas e a consolidação da cidade como um destino de grande porte para eventos internacionais de automobilismo.

O projeto, elaborado por um consórcio de empresas como Populous, Driven, WSP e RLB, prioriza a sustentabilidade e a integração do autódromo com a região. A cerca de 1h20 do Aeroporto Internacional do Galeão, o Autódromo de Guaratiba será multiuso, projetado não apenas para corridas, mas também para outros eventos e atividades, o que aumenta o seu potencial de gerar uma infraestrutura mais ampla e dinâmica para a cidade.

Estrutura

A infraestrutura inicial do autódromo inclui um kartódromo, terraço, garagens, paddocks, uma vila e um clube automobilístico, todos com foco em oferecer uma experiência de classe mundial. A construção do projeto está prevista para começar com um investimento de R$ 1,3 bilhões, completamente financiado por investidores privados, sem a utilização de recursos públicos.

“Esse é um projeto com recurso privado, que não tem dinheiro do imposto do carioca. É um trabalho de longo prazo, mas já está mais do que comprovado que grandes eventos são bons para a economia da cidade, são bons para quem mais precisa. Agora o desafio é trazer de volta a Fórmula 1, a motovelocidade, a Fórmula Indy. É pensar em todas as alternativas que pudermos ter aqui no Rio”, detalhou Eduardo Paes.

Apesar de todo o entusiasmo gerado pelo projeto no Rio, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, reafirmou a posição da capital paulista, destacando que a cidade tem uma infraestrutura consolidada para sediar grandes eventos, o que garantiria a permanência das corridas de Fórmula 1 em Interlagos até 2030, conforme estipulado no contrato vigente.

Foto: Kauhan Fiaux / Lance!
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