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CBF implementa Fair Play Financeiro com monitoramento triplo anual e punições graduais

Regras foram construídas com participação majoritária de clubes das Séries A e B e terão transição até 2030

Foto: Divulgação: Staff Images/CBF

26 de novembro de 2025

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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentará nesta quarta-feira (26), em São Paulo, o regulamento que vai estabelecer os parâmetros do Fair Play Financeiro para os clubes do país. A nova estrutura começa a valer em 1º de janeiro de 2026 e contará com três datas fixas de verificação por temporada, com um período de adaptação prolongado que se encerra em 2030.

A proposta busca organizar a saúde financeira das instituições esportivas e estabelecer critérios uniformes de avaliação ao longo do calendário.

Para registrar um atleta no Boletim Informativo Diário, as equipes precisarão inserir todos os contratos em uma plataforma própria da CBF. A checagem do cumprimento das regras ocorrerá em três momentos do ano: 31 de março, 31 de julho e 30 de novembro.

A intenção é que o controle não se limite a auditorias pontuais, mas que seja incorporado ao fluxo regular de operações do futebol nacional, impactando diretamente as inscrições de novos jogadores.

O órgão utilizará o Domestic Transfer Matching System como ferramenta de supervisão contínua das pendências financeiras ligadas às transferências entre os times. O dispositivo é uma adaptação local do sistema original da Fifa, empregado globalmente para acompanhar negociações de atletas e obrigações de pagamento entre instituições. A versão brasileira também cruzará dados com órgãos públicos, permitindo identificar dívidas que não se limitam ao ambiente esportivo, ampliando o raio de monitoramento.

O modelo de Fair Play Financeiro brasileiro é organizado em quatro pilares. O primeiro envolve a verificação de atrasos com clubes, funcionários ou entidades públicas. O segundo avalia a capacidade de operação, cruzando receitas com despesas recorrentes. Já o terceiro busca equilibrar o nível de investimento no elenco em relação ao potencial econômico da instituição. O quarto restringe o endividamento de curto prazo, preservando liquidez mínima para que as atividades continuem funcionando sem risco estrutural.

Entenda como vai funcionar o Fair Play Financeiro no futebol brasileiro

As equipes terão até 2030, tomando como referência o exercício contábil de 2029, para ajustar dívidas de curto prazo ao limite máximo de 40% do faturamento anual. A ideia de ampliar esse prazo para uma década foi rejeitada no processo de consulta.

A inclusão de dados no sistema será requisito básico para a publicação de atletas no BID, e o mecanismo internacional de transferências será integrado à plataforma nacional para checar desembolsos relacionados às negociações. Dívidas firmadas após 1º de janeiro de 2026 serão monitoradas imediatamente, enquanto pendências anteriores poderão ser quitadas até 30 de novembro do próximo ano.

O Sistema de Sustentabilidade Financeira prevê sanções graduais: advertências, multas, retenção de receitas, bloqueio de contratações, rebaixamento e até cassação de licenças, dependendo da gravidade do caso.

Um clube passará a ser acompanhado quando registrar prejuízo no exercício anual. O balanço levará em conta os três últimos anos e terá limites de tolerância: na Série A, o déficit permitido é de até R$ 30 milhões ou 2,5% da receita; na Série B, até R$ 10 milhões ou também 2,5%.

Além disso, os gastos com o elenco não poderão exceder 70% do faturamento na primeira divisão e 80% na segunda, considerando salários, encargos, direitos de imagem e amortizações. Estimativas indicam que poucas equipes da elite atualmente atendem a esse teto de despesas.

A discussão sobre o sistema começou em 25 de julho e teve quatro encontros entre 11 de agosto e 11 de novembro. As contribuições finais foram enviadas até 13 de novembro e envolveram 77 participantes, com presença equilibrada entre representantes da Série A e Série B, além de federações e outros agentes do futebol.

A CBF afirma que cerca de 70% dos clubes colaboraram ativamente no processo. Do total de sugestões recebidas, 79% foram incorporadas ao regulamento, enquanto as demais serão tratadas em agendas futuras.

Os assuntos mais mencionados pelos participantes incluíram pendências de pagamento, a busca por modelos contábeis uniformes, o tratamento da multipropriedade entre acionistas e investidores, além de parâmetros para o grau de alavancagem financeiro das instituições. Houve também solicitações para a renegociação de débitos tributários, porém essa demanda não foi incorporada no regulamento nesta etapa inicial.

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